AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2026
Paciente de 62 anos, tabagista de longa data, apresenta dispneia progressiva, tosse e edema facial que piora em decúbito dorsal. Ao exame, observa-se pletora facial, dilatação de veias cervicais e colaterais torácicas anteriores. A tomografia computadorizada de tórax mostra massa mediastinal com compressão da veia cava superior. Sobre a síndrome da veia cava superior, assinale a alternativa correta:
SVCS = Edema facial + pletora + circulação colateral; sintomas podem estabilizar com colaterais.
A Síndrome da Veia Cava Superior (SVCS) é causada pela obstrução do fluxo venoso para o átrio direito, manifestando-se com edema e pletora, podendo haver compensação via circulação colateral.
A Síndrome da Veia Cava Superior (SVCS) representa uma constelação de sinais e sintomas resultantes da obstrução do fluxo sanguíneo através da veia cava superior. Clinicamente, o paciente apresenta o clássico 'edema em escravina' (edema de face, pescoço e membros superiores), pletora facial, tosse e dispneia. O agravamento dos sintomas em decúbito dorsal é típico devido ao aumento da pressão hidrostática. Fisiopatologicamente, a veia cava superior é um vaso de parede fina e baixa pressão, facilmente comprimido por estruturas adjacentes no mediastino. O diagnóstico diferencial deve incluir causas malignas (broncogênico, linfoma) e benignas (fibrose mediastinal, bócio mergulhante, trombose por dispositivos). O tratamento foca na causa base, podendo incluir radioterapia, quimioterapia ou angioplastia com stent em casos graves ou refratários.
Historicamente, a SVCS era causada principalmente por doenças infecciosas (como sífilis e tuberculose). Atualmente, cerca de 60-90% dos casos são decorrentes de neoplasias malignas, sendo o câncer de pulmão (especialmente o de pequenas células e o adenocarcinoma) e o linfoma as etiologias mais comuns. No entanto, causas iatrogênicas benignas, como a trombose associada a cateteres venosos centrais de longa permanência e eletrodos de marca-passo, têm apresentado incidência crescente na prática clínica moderna.
A gravidade dos sintomas da SVCS depende da velocidade da obstrução e da eficácia da circulação colateral. Quando a obstrução é lenta, o corpo recruta veias alternativas (como a veia ázigo, veias mamárias internas e epigástricas) para drenar o sangue da parte superior do corpo para a veia cava inferior ou átrio direito. Isso explica por que alguns pacientes apresentam sintomas progressivos que podem estabilizar ou até melhorar levemente ao longo do tempo, apesar da persistência da obstrução central.
A Tomografia Computadorizada (TC) de tórax com contraste venoso é o padrão-ouro para o diagnóstico. Ela permite identificar o local exato da obstrução, a causa (massa extrínseca ou trombo intraluminal), a extensão do envolvimento venoso e a presença de circulação colateral. Embora a Ressonância Magnética (RM) seja uma alternativa útil em pacientes com contraindicação ao contraste iodado, a TC é preferível pela rapidez, maior disponibilidade e excelente detalhamento anatômico necessário para intervenções.
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