TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2025
A síndrome da vasoconstrição cerebral reversível:
SVCR = Cefaleia em trovoada + Vasoconstrição segmentar reversível + Líquor que pode conter hemácias.
A SVCR cursa com vasoconstrição de grandes e médias artérias cerebrais, podendo gerar hemorragia subaracnoidea da convexidade, o que justifica a presença de hemácias no líquor.
A Síndrome da Vasoconstrição Cerebral Reversível (SVCR) é uma entidade clínica e radiológica caracterizada por estreitamento multifocal reversível das artérias cerebrais. O diagnóstico diferencial principal é a vasculite do sistema nervoso central, mas a SVCR distingue-se pela reversibilidade em até 12 semanas e pela apresentação aguda com cefaleia em trovoada. A fisiopatologia envolve uma desregulação transitória do tônus arterial cerebral. Exames de imagem como angiotomografia, angiorressonância ou angiografia digital revelam o aspecto clássico em 'contas de rosário' ou 'salsicha'. Complicações como AVC isquêmico ou hemorrágico podem ocorrer, mas o prognóstico geral é favorável se manejado corretamente com a suspensão de agentes causais e controle pressórico.
A SVCR é mais comum em mulheres, geralmente entre os 20 e 50 anos de idade. Clinicamente, manifesta-se por cefaleias em trovoada (thunderclap headache) recorrentes, que atingem intensidade máxima em segundos. Pode ser idiopática ou desencadeada por substâncias vasoativas (antidepressivos, descongestionantes, cannabis) ou pelo período pós-parto.
Embora o líquor possa ser normal, em cerca de 30% a 50% dos casos de SVCR ocorre a presença de hemácias devido a uma hemorragia subaracnoidea (HSA) não aneurismática, tipicamente localizada nos sulcos da convexidade cerebral. Isso ocorre pela ruptura de pequenos vasos ou estresse hemodinâmico decorrente da vasoconstrição segmentar das artérias de maior calibre.
O tratamento baseia-se na remoção de gatilhos (substâncias vasoativas) e no uso de bloqueadores de canais de cálcio, sendo a nimodipina a droga mais utilizada para reduzir a frequência e intensidade das cefaleias. Diferente de outras vasculopatias, os betabloqueadores devem ser evitados, pois podem piorar o espasmo vascular por oposição à vasodilatação mediada por receptores beta.
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