CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2019
Em relação à síndrome uveíte-glaucoma-hifema (UGH) associada a facoemulsificação, assinale a alternativa correta:
Síndrome UGH = Atrito mecânico da LIO com o tecido uveal (íris/corpo ciliar).
A síndrome UGH ocorre pelo posicionamento inadequado ou instabilidade da LIO, causando irritação crônica da íris ou corpo ciliar, resultando em inflamação, hifema e aumento da PIO.
A Síndrome Uveíte-Glaucoma-Hifema (UGH) representa uma complicação mecânica importante no pós-operatório de catarata. A fisiopatologia baseia-se no 'microtrauma' contínuo. Quando a LIO não está perfeitamente estável ou está em um compartimento ocular para o qual não foi projetada, seus componentes (óptica ou haptos) raspam no tecido uveal altamente vascularizado. Isso gera uma quebra da barreira hemato-aquosa. Clinicamente, o paciente pode apresentar episódios intermitentes de visão embaçada (devido a micro-hifemas ou picos pressóricos) e dor ocular. O exame de biomicroscopia pode revelar transiluminação iriana, células na câmara anterior e, por vezes, a visualização direta do haptos tocando a íris. A ultrassonografia biomicroscópica (UBM) é uma ferramenta diagnóstica valiosa para confirmar o contato LIO-uveia em casos duvidosos. O reconhecimento desta entidade é crucial para diferenciar de uveítes primárias ou endoftalmites crônicas.
A tríade clássica da Síndrome UGH consiste em Uveíte (inflamação da câmara anterior), Glaucoma (aumento da pressão intraocular) e Hifema (sangue na câmara anterior). Esta condição é tipicamente causada pelo atrito mecânico de uma lente intraocular (LIO) mal posicionada, instável ou com design inadequado contra as estruturas vasculares da íris ou do corpo ciliar. O trauma crônico leva à liberação de pigmentos, células inflamatórias e hemácias, que obstruem a malha trabecular, resultando no aumento da PIO. O diagnóstico precoce é fundamental para evitar danos permanentes ao nervo óptico e à córnea.
O tratamento definitivo da Síndrome UGH geralmente requer intervenção cirúrgica para reposicionar, trocar ou remover a lente intraocular que está causando o atrito. Embora o manejo inicial possa envolver o uso de hipotensores oculares para controlar a PIO e corticoides tópicos para reduzir a inflamação, essas medidas são paliativas se o estímulo mecânico persistir. Em casos onde a LIO está no sulco ciliar e tocando a íris posterior, a troca por uma lente de câmara posterior devidamente fixada ou o reposicionamento para dentro do saco capsular (se íntegro) é necessário para cessar o trauma uveal.
Historicamente, as lentes de câmara anterior de suporte angular rígido estavam altamente associadas à UGH. Atualmente, a síndrome é mais vista com lentes de câmara posterior colocadas incorretamente no sulco ciliar (especialmente lentes de peça única de acrílico hidrofóbico, que possuem bordas quadradas e haptos grossos não desenhados para o sulco) ou lentes que sofreram descentração ou 'tilt'. Lentes de peça única devem ser colocadas exclusivamente dentro do saco capsular; quando colocadas no sulco, o contato do material rugoso do haptos com a face posterior da íris é um gatilho comum para a síndrome.
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