Síndrome de Uveíte de Fuchs: Diagnóstico e Características

CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2024

Enunciado

Mulher de 35 anos se queixa de baixa de acuidade visual progressiva no olho esquerdo. Ao exame, apresenta pressão intraocular de 30 mmHg no olho esquerdo, discreta reação de câmara anterior, gonioscopia com inúmeros vasos radiais e circulares no seio camerular e biomicroscopia nas imagens abaixo. Sobre esse quadro, qual a alternativa correta, dentre as abaixo?

Alternativas

  1. A) Os precipitados ceráticos são de aspecto estrelado e a reação de câmara anterior não causa sintomas na maioria dos casos.
  2. B) Se não for tratada, a neovascularização do seio camerular resultará na formação de membrana fibrovascular e sinéquias anteriores.
  3. C) O tratamento com corticoide tópico apresenta bons resultados no controle da inflamação e redução da pressão intraocular.
  4. D) Essa doença ocorre mais comumente em mulheres jovens, e o exame de microscopia especular é fundamental para o diagnóstico.

Pérola Clínica

Uveíte de Fuchs = Precipitados estrelados + ausência de sinéquias + heterocromia (nem sempre).

Resumo-Chave

A Síndrome de Fuchs é uma uveíte crônica, geralmente unilateral e assintomática, caracterizada por precipitados ceráticos finos e estrelados distribuídos por todo o endotélio.

Contexto Educacional

A Síndrome de Uveíte de Fuchs é uma forma distinta de iridociclite crônica não granulomatosa. Sua etiologia exata permanece em debate, mas evidências sugerem uma forte associação com a infecção prévia pelo vírus da rubéola. A doença é caracterizada por uma inflamação de baixo grau que não responde bem aos esteroides e não resulta na formação de sinéquias, o que a diferencia da maioria das outras uveítes anteriores. As principais complicações que levam à perda visual na Síndrome de Fuchs são a catarata subcapsular posterior e o glaucoma secundário. O glaucoma em pacientes com Fuchs pode ser particularmente difícil de manejar, muitas vezes exigindo intervenção cirúrgica, como a trabeculectomia ou implantes de drenagem, uma vez que o tratamento clínico pode ser insuficiente. A cirurgia de catarata nesses pacientes costuma ter um bom prognóstico, apesar do risco aumentado de hifema no intraoperatório (sinal de Amsler).

Perguntas Frequentes

Como diferenciar a Síndrome de Fuchs de outras uveítes?

A Síndrome de Uveíte de Fuchs (SUF) é tipicamente unilateral e caracteriza-se por uma tríade de heterocromia (nem sempre presente ou óbvia), catarata e precipitados ceráticos (PKs) finos, estrelados e difusos. Diferente de outras uveítes anteriores, a SUF não forma sinéquias posteriores, mesmo na presença de inflamação crônica. A reação de câmara anterior é leve e o paciente costuma ser assintomático até que a catarata ou o glaucoma secundário reduzam a visão.

Qual a causa da heterocromia na SUF?

A heterocromia ocorre devido à atrofia do estroma da íris e à perda de pigmento do epitélio pigmentar iridiano. Em olhos claros, o olho afetado pode parecer mais escuro devido à visualização do epitélio pigmentar através do estroma atrófico; em olhos escuros, o olho afetado parece mais claro. É importante notar que em muitos pacientes, especialmente de etnia miscigenada, a heterocromia pode ser muito sutil ou ausente.

Por que evitar corticoides na Síndrome de Fuchs?

A inflamação na SUF é crônica e geralmente não responde bem aos corticoides tópicos. Além disso, o uso prolongado de corticoides aumenta significativamente o risco de desenvolvimento de catarata e, mais criticamente, de glaucoma secundário, que já são complicações naturais da doença. Como a inflamação raramente causa danos estruturais imediatos (como sinéquias), o manejo foca mais no tratamento das complicações (catarata e glaucoma) do que na supressão da celularidade em câmara anterior.

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