Síndrome de Urretz-Zavalia Pós-Ceratoplastia

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2010

Enunciado

Paciente com ceratocone apresentou a síndrome de Urretz-Zavalia, após ser submetido à ceratoplastia penetrante de córnea. Seu quadro clínico mais provavelmente evidenciará:

Alternativas

  1. A) Pupila dilatada e pouco reagente após a operação
  2. B) Edema de córnea com depósitos endoteliais lineares
  3. C) Hifema total no dia seguinte ao da operação
  4. D) Rotura traumática do cristalino com depósitos de proteínas na malha trabecular

Pérola Clínica

Urretz-Zavalia = Midríase fixa e paralítica pós-ceratoplastia (especialmente em ceratocone).

Resumo-Chave

É uma complicação rara pós-ceratoplastia caracterizada por pupila dilatada e não reagente, frequentemente associada à isquemia do esfíncter da íris.

Contexto Educacional

A Síndrome de Urretz-Zavalia, embora rara hoje em dia devido a melhores técnicas de controle da pressão intraocular e uso parcimonioso de midriáticos, continua sendo uma complicação temida no transplante de córnea. Além do prejuízo estético, a midríase fixa causa fotofobia intensa e aberrações visuais que podem comprometer o resultado funcional da cirurgia. O diagnóstico é clínico, baseado na observação da pupila dilatada que não responde ao teste de pilocarpina. O manejo é preventivo, focando no controle rigoroso da PIO pós-operatória e na evitação de midriáticos de longa duração em pacientes de alto risco, como aqueles com ceratocone avançado submetidos a ceratoplastia.

Perguntas Frequentes

O que caracteriza a Síndrome de Urretz-Zavalia?

A síndrome é definida por uma midríase (dilatação pupilar) fixa, permanente e não reagente à luz ou a agentes mióticos, que ocorre no período pós-operatório imediato de cirurgias de córnea, classicamente na ceratoplastia penetrante para ceratocone. Pode vir acompanhada de atrofia de íris e glaucoma secundário.

Qual a fisiopatologia proposta para esta condição?

Acredita-se que a causa principal seja a isquemia do esfíncter pupilar da íris. Isso pode ocorrer devido a picos de pressão intraocular elevada no pós-operatório, compressão da íris contra a periferia da córnea ou pelo uso prolongado de midriáticos potentes (como a atropina) em olhos predispostos, levando ao estrangulamento dos vasos irianos.

Por que o ceratocone é um fator de risco?

Embora possa ocorrer em outras condições, a síndrome foi descrita originalmente e é mais frequente em pacientes com ceratocone. Acredita-se que a anatomia peculiar do segmento anterior nesses pacientes, associada à necessidade frequente de midríase farmacológica no pós-operatório para evitar sinéquias, contribua para a vulnerabilidade da íris ao insulto isquêmico.

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