Síndrome Urêmica Hemolítica: Manejo e Erros Comuns

ENARE/ENAMED — Prova 2025

Enunciado

A síndrome urêmica hemolítica típica (SHU) é uma doença do grupo das microangiopatias trombóticas. São distúrbios caracterizados por anemia hemolítica microangiopática não imune, trombocitopenia e insuficiência multissistêmica. A SHU está associada a infecções intestinais por bactérias produtoras da toxina Shiga, em especial a Escherichia coli enterohemorrágica invasiva (STEC - Shiga-toxin– producing strains of E coli). Carne mal-cozida, especialmente hambúrguer, leite e suco não pasteurizados, além de frutas e vegetais crus, podem estar contaminados por essas bactérias.A doença geralmente tem início abrupto com quadro de diarreia, muitas vezes com sangue e dor abdominal. Em adultos, geralmente é autolimitada a 5-10 dias. Porém, em crianças, observa-se maior associação à SHU.Com relação a essa doença em crianças, é correto afirmar que:

Alternativas

  1. A) o antibiótico de escolha é o ciprofloxacino;
  2. B) a terapia antibiótica pode aumentar o risco de SHU e a plasmaférese pode auxiliar pacientes com doença por e. coli enterohemorrágica invasiva produtora da toxina SHIGA;
  3. C) rifaximina associada a fluorquinolona deve ser administrada imediatamente em casos de diarreia hemorrágica;
  4. D) vancomicina 125 mg, por via oral, quatro vezes ao dia, associada a fidaxomicina 200 mg, duas vezes ao dia durante 10 dias, é o tratamento indicando;
  5. E) sulfametoxazol + trimetoprima 800/160 mg a cada 6h por 28 dias é o tratamento de escolha.

Pérola Clínica

SHU típica: terapia ATB pode ↑ risco de SHU; plasmaférese não indicada para SHU associada a STEC.

Resumo-Chave

Na Síndrome Urêmica Hemolítica (SHU) típica, associada à infecção por E. coli produtora de toxina Shiga (STEC), a terapia antibiótica é contraindicada, pois pode aumentar a liberação da toxina e, consequentemente, o risco de desenvolver SHU. A plasmaférese não tem papel estabelecido no tratamento da SHU típica.

Contexto Educacional

A Síndrome Urêmica Hemolítica (SHU) típica é uma microangiopatia trombótica grave, caracterizada pela tríade de anemia hemolítica microangiopática, trombocitopenia e insuficiência renal aguda. É mais comum em crianças e frequentemente desencadeada por infecções gastrointestinais pela Escherichia coli enterohemorrágica (STEC), que produz a toxina Shiga. A contaminação ocorre principalmente por carne malcozida, leite não pasteurizado e vegetais crus. Após um período de diarreia, que pode ser sanguinolenta, a toxina Shiga é absorvida e causa dano endotelial sistêmico, levando à formação de microtrombos nos capilares, especialmente nos rins. Isso resulta em hemólise intravascular, consumo de plaquetas e lesão renal. O diagnóstico é clínico e laboratorial, com evidência de hemólise microangiopática (esquizócitos no esfregaço), trombocitopenia e elevação de creatinina. O tratamento da SHU típica é essencialmente de suporte, com foco na hidratação adequada, manejo da hipertensão, correção de distúrbios eletrolíticos e, se necessário, diálise. É crucial evitar o uso de antibióticos, pois eles podem aumentar a liberação da toxina Shiga e piorar o prognóstico. A plasmaférese não é indicada para a SHU típica. O prognóstico em crianças é variável, com muitos se recuperando, mas alguns desenvolvendo doença renal crônica.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas da Síndrome Urêmica Hemolítica (SHU) típica em crianças?

A SHU típica em crianças geralmente se inicia após um quadro de diarreia (frequentemente sanguinolenta) e dor abdominal. Os sinais incluem anemia hemolítica microangiopática (palidez, icterícia), trombocitopenia (petéquias, sangramentos) e insuficiência renal aguda (oligúria, edema, hipertensão).

Por que a terapia antibiótica é contraindicada na SHU associada à E. coli produtora de toxina Shiga?

A terapia antibiótica é contraindicada porque a lise das bactérias induzida pelos antibióticos pode levar à liberação maciça da toxina Shiga, aumentando a absorção sistêmica e o risco de desenvolver ou agravar a SHU. O tratamento é de suporte, focando na hidratação e manejo das complicações.

Qual o papel da plasmaférese no tratamento da SHU típica?

A plasmaférese não tem um papel estabelecido no tratamento da SHU típica associada à infecção por STEC. Seu uso é reservado para a SHU atípica, que tem fisiopatologia diferente (disregulação do complemento) e não está associada à toxina Shiga.

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