ENARE/ENAMED — Prova 2025
A síndrome urêmica hemolítica típica (SHU) é uma doença do grupo das microangiopatias trombóticas. São distúrbios caracterizados por anemia hemolítica microangiopática não imune, trombocitopenia e insuficiência multissistêmica. A SHU está associada a infecções intestinais por bactérias produtoras da toxina Shiga, em especial a Escherichia coli enterohemorrágica invasiva (STEC - Shiga-toxin– producing strains of E coli). Carne mal-cozida, especialmente hambúrguer, leite e suco não pasteurizados, além de frutas e vegetais crus, podem estar contaminados por essas bactérias.A doença geralmente tem início abrupto com quadro de diarreia, muitas vezes com sangue e dor abdominal. Em adultos, geralmente é autolimitada a 5-10 dias. Porém, em crianças, observa-se maior associação à SHU.Com relação a essa doença em crianças, é correto afirmar que:
SHU típica: terapia ATB pode ↑ risco de SHU; plasmaférese não indicada para SHU associada a STEC.
Na Síndrome Urêmica Hemolítica (SHU) típica, associada à infecção por E. coli produtora de toxina Shiga (STEC), a terapia antibiótica é contraindicada, pois pode aumentar a liberação da toxina e, consequentemente, o risco de desenvolver SHU. A plasmaférese não tem papel estabelecido no tratamento da SHU típica.
A Síndrome Urêmica Hemolítica (SHU) típica é uma microangiopatia trombótica grave, caracterizada pela tríade de anemia hemolítica microangiopática, trombocitopenia e insuficiência renal aguda. É mais comum em crianças e frequentemente desencadeada por infecções gastrointestinais pela Escherichia coli enterohemorrágica (STEC), que produz a toxina Shiga. A contaminação ocorre principalmente por carne malcozida, leite não pasteurizado e vegetais crus. Após um período de diarreia, que pode ser sanguinolenta, a toxina Shiga é absorvida e causa dano endotelial sistêmico, levando à formação de microtrombos nos capilares, especialmente nos rins. Isso resulta em hemólise intravascular, consumo de plaquetas e lesão renal. O diagnóstico é clínico e laboratorial, com evidência de hemólise microangiopática (esquizócitos no esfregaço), trombocitopenia e elevação de creatinina. O tratamento da SHU típica é essencialmente de suporte, com foco na hidratação adequada, manejo da hipertensão, correção de distúrbios eletrolíticos e, se necessário, diálise. É crucial evitar o uso de antibióticos, pois eles podem aumentar a liberação da toxina Shiga e piorar o prognóstico. A plasmaférese não é indicada para a SHU típica. O prognóstico em crianças é variável, com muitos se recuperando, mas alguns desenvolvendo doença renal crônica.
A SHU típica em crianças geralmente se inicia após um quadro de diarreia (frequentemente sanguinolenta) e dor abdominal. Os sinais incluem anemia hemolítica microangiopática (palidez, icterícia), trombocitopenia (petéquias, sangramentos) e insuficiência renal aguda (oligúria, edema, hipertensão).
A terapia antibiótica é contraindicada porque a lise das bactérias induzida pelos antibióticos pode levar à liberação maciça da toxina Shiga, aumentando a absorção sistêmica e o risco de desenvolver ou agravar a SHU. O tratamento é de suporte, focando na hidratação e manejo das complicações.
A plasmaférese não tem um papel estabelecido no tratamento da SHU típica associada à infecção por STEC. Seu uso é reservado para a SHU atípica, que tem fisiopatologia diferente (disregulação do complemento) e não está associada à toxina Shiga.
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