Síndrome UGH: Diagnóstico e Conduta na Uveíte Pós-Catarata

CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2024

Enunciado

Paciente submetido à cirurgia de catarata há oito meses apresenta quadros recorrentes de uveíte anterior no pós-operatório, refratários ao uso de corticoide e anti-inflamatórios não-esteroidais, associados à diminuição da acuidade visual, conforme os exames complementares abaixo.Dentre as alternativas, qual apresenta a conduta mais resolutiva neste momento?

Alternativas

  1. A) Reabordagem cirúrgica do segmento anterior.
  2. B) Introduzir inibidor tópico da anidrase carbônica.
  3. C) Vitrectomia posterior com remoção da membrana limitante interna.
  4. D) Injeção intraocular de antiangiogênico.

Pérola Clínica

Uveíte recorrente + Pós-catarata + Refratariedade → Suspeitar de Síndrome UGH (atrito da LIO).

Resumo-Chave

A síndrome UGH é causada pelo atrito mecânico de uma lente intraocular mal posicionada contra as estruturas uveais, exigindo frequentemente a reabordagem cirúrgica para resolução definitiva.

Contexto Educacional

A uveíte anterior crônica após a cirurgia de catarata é um desafio diagnóstico. Deve-se diferenciar entre endoftalmite crônica (geralmente por *Propionibacterium acnes*), inflamação residual e causas mecânicas como a Síndrome UGH. A biomicroscopia cuidadosa pode revelar transiluminação iriana, hifema microscópico ou mau posicionamento da LIO. Exames complementares como a Ultrassonografia Biomicroscópica (UBM) são extremamente úteis para visualizar a relação entre os hálpticos da lente e o corpo ciliar/íris. Uma vez confirmado o componente mecânico, a intervenção cirúrgica precoce é fundamental para prevenir danos permanentes ao ângulo iridocorneano e ao nervo óptico decorrentes do glaucoma secundário, além de restaurar a acuidade visual comprometida pelo edema macular cistoide associado à inflamação crônica.

Perguntas Frequentes

O que caracteriza a Síndrome UGH?

A Síndrome UGH (Uveíte, Glaucoma e Hifema) é uma complicação pós-operatória da cirurgia de catarata. Ela é causada pelo contato mecânico e atrito de uma lente intraocular (LIO) ou de seus hálpticos com a íris, o corpo ciliar ou o ângulo da câmara anterior. Isso gera inflamação crônica (uveíte), liberação de pigmentos ou sangue (hifema) e aumento da pressão intraocular (glaucoma). Nem sempre os três componentes estão presentes simultaneamente.

Por que a uveíte na Síndrome UGH é refratária ao tratamento clínico?

Diferente de uma uveíte idiopática ou autoimune, a inflamação na Síndrome UGH é de origem mecânica. Enquanto a causa (o atrito da lente contra o tecido uveal) persistir, o uso de corticoides e anti-inflamatórios terá apenas efeito paliativo e temporário. Assim que a medicação é suspensa ou reduzida, a inflamação retorna, caracterizando a natureza recorrente e refratária do quadro.

Qual é o tratamento definitivo para a Síndrome UGH?

O tratamento definitivo e mais resolutivo é a reabordagem cirúrgica do segmento anterior. O objetivo é eliminar o contato mecânico irritativo. Isso pode envolver o reposicionamento da LIO (se estiver descentrada ou com hálptico no sulco de forma inadequada), a fixação escleral da lente ou, em muitos casos, a explantação da LIO atual e substituição por uma lente mais adequada ao suporte capsular disponível ou posicionada em local diferente.

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