FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2026
Uma paciente com 16 anos de idade, em amenorreia primária, foi diagnosticada com síndrome de Turner, na forma não mosaico. Com base nesse caso clínico hipotético, em relação a esse diagnóstico, é correto afirmar que:
Turner (45,X) = Amenorreia primária + FSH/LH ↑ + Estradiol ↓ (Falência ovariana precoce).
A Síndrome de Turner é caracterizada por disgenesia gonadal (ovários em fita), resultando em hipogonadismo hipergonadotrópico. O útero e as tubas estão presentes, pois não há produção de substância antimülleriana.
A Síndrome de Turner é a causa mais comum de hipogonadismo hipergonadotrópico em mulheres. Clinicamente, manifesta-se com baixa estatura, pescoço alado, tórax em escudo e amenorreia primária devido à falência ovariana prematura. O diagnóstico definitivo é realizado através do cariótipo, que identifica a ausência total ou parcial de um dos cromossomos X. A presença de útero e tubas é um marco importante para diferenciar de outras causas de amenorreia primária. O manejo clínico envolve a reposição de hormônio do crescimento (GH) para otimizar a estatura final e a terapia de reposição hormonal (estrogênio e progesterona) para induzir o desenvolvimento dos caracteres sexuais secundários e prevenir a osteoporose. É fundamental o rastreamento de malformações associadas, como coarctação de aorta e anomalias renais, além do monitoramento de doenças autoimunes como o hipotireoidismo, que são mais frequentes nessas pacientes.
Na Síndrome de Turner, ocorre uma disgenesia gonadal, onde os ovários são substituídos por tecido fibroso (ovários em fita). Devido à ausência de folículos ovarianos funcionais, não há produção de estradiol nem de inibina. A falta do feedback negativo dessas substâncias sobre a hipófise e o hipotálamo resulta em uma secreção compensatória e exacerbada de Gonadotrofinas (FSH e LH), caracterizando o quadro de hipogonadismo hipergonadotrópico. Esse perfil é típico de falência ovariana primária.
Sim. Diferente de condições como a Síndrome de Mayer-Rokitansky-Kuster-Hauser ou a Síndrome de Insensibilidade Androgênica (Morris), na Síndrome de Turner os ductos de Müller se desenvolvem normalmente. Como a paciente não possui o cromossomo Y, não há produção de Hormônio Antimülleriano (AMH) pelos testículos (que não existem), permitindo a formação normal do útero, tubas uterinas e porção superior da vagina, embora esses órgãos possam ser hipoplásicos devido à falta de estímulo estrogênico.
A causa mais comum é a monossomia do cromossomo X (cariótipo 45,X), ocorrendo em cerca de 50% dos casos, geralmente devido a um erro de não-disjunção meiótica. Outros casos incluem mosaicismo (ex: 45,X/46,XX) ou anomalias estruturais do cromossomo X. A perda de genes específicos no braço curto do X (como o gene SHOX) é responsável pela baixa estatura característica da síndrome, enquanto a perda de outros genes leva à disgenesia gonadal e outras malformações.
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