INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2023
Uma adolescente com 16 anos procura a unidade básica de saúde para avaliação de uma mancha na pele. Relata que, há cerca de 1 mês, desenvolveu uma lesão caracterizada como uma placa eritematosa, liquenificada e pruriginosa, localizada acima da região umbilical, próxima ao local onde colocou um piercing. Ao ser examinada, a lesão foi confirmada e constatou- se também que o desenvolvimento puberal era M1P1, conforme os critérios de Tanner. A adolescente também apresentava baixa estatura, pescoço alado e implantação baixa de orelhas. Ao ser questionada sobre o fluxo menstrual, ela informou que ainda não tinha menstruado.Considerando-se o quadro clínico e o exame físico descritos, os diagnósticos mais prováveis são
Adolescente com baixa estatura, pescoço alado, amenorreia primária e M1P1 → Síndrome de Turner.
A combinação de baixa estatura, pescoço alado, implantação baixa de orelhas e amenorreia primária com desenvolvimento puberal M1P1 (estágio pré-puberal) é altamente sugestiva de Síndrome de Turner. A lesão cutânea pruriginosa e liquenificada próxima ao piercing é compatível com dermatite de contato, uma reação inflamatória comum a irritantes ou alérgenos.
A Síndrome de Turner é uma anomalia cromossômica sexual (cariótipo 45,X0) que afeta apenas indivíduos do sexo feminino, com uma prevalência de aproximadamente 1 em cada 2.500 nascidos vivos. É uma das causas mais comuns de amenorreia primária e baixa estatura em meninas. O reconhecimento precoce dos achados fenotípicos, como pescoço alado, implantação baixa de orelhas, e a ausência de desenvolvimento puberal (M1P1 pelos critérios de Tanner), é crucial para o diagnóstico e início do tratamento, que pode incluir terapia com hormônio de crescimento e reposição hormonal para indução da puberdade. Paralelamente, a dermatite de contato é uma reação inflamatória da pele causada pelo contato com uma substância irritante ou alérgena. No contexto de um piercing, é comum que a reação seja desencadeada por metais como o níquel, presente em muitas joias, ou por irritação mecânica. A lesão descrita (placa eritematosa, liquenificada e pruriginosa) é clássica para dermatite de contato crônica. O diagnóstico diferencial da amenorreia primária é vasto, mas a presença de estigmas dismórficos direciona fortemente para síndromes genéticas. O tratamento da Síndrome de Turner é multidisciplinar, focando na baixa estatura (hormônio de crescimento), desenvolvimento puberal (estrogênio e progesterona) e manejo de comorbidades (cardíacas, renais, tireoidianas). Para a dermatite de contato, a conduta envolve a remoção do agente causador e o uso de corticosteroides tópicos para controlar a inflamação e o prurido. É fundamental que o residente seja capaz de integrar diferentes achados clínicos para chegar a diagnósticos precisos e oferecer um plano de cuidados abrangente.
A Síndrome de Turner é caracterizada por baixa estatura, pescoço alado (pterygium colli), implantação baixa de orelhas e linha de cabelo posterior, tórax em escudo, cúbito valgo, e amenorreia primária devido à disgenesia gonadal, resultando em ausência de desenvolvimento puberal.
A dermatite de contato se manifesta como uma lesão eritematosa, pruriginosa, com possível formação de vesículas, bolhas ou liquenificação em casos crônicos. Próximo a piercings, é comum devido à reação alérgica a metais como o níquel ou irritação mecânica.
M1P1 pelos critérios de Tanner indica que a adolescente está no estágio pré-puberal, sem desenvolvimento mamário (M1) e sem pelos pubianos (P1). Na Síndrome de Turner, a disgenesia gonadal impede o desenvolvimento puberal espontâneo.
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