Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2026
Uma paciente de 58 anos, com diagnóstico recente de adenocarcinoma de pâncreas, procura atendimento médico com um quadro de eritema, calor e dor na perna esquerda, inicialmente interpretado e tratado como celulite. Após não apresentar melhora, a perna evolui com edema assimétrico, e, alguns dias depois, a paciente desenvolve insuficiência respiratória aguda. A síndrome mais provável para explicar a evolução clínica deste caso é a síndrome:
Neoplasia oculta (pâncreas) + Tromboflebite migratória/TEV = Síndrome de Trousseau.
A Síndrome de Trousseau é uma manifestação paraneoplásica de hipercoagulabilidade, frequentemente associada a adenocarcinomas viscerais, manifestando-se como tromboses recorrentes.
A Síndrome de Trousseau é um exemplo clássico de como manifestações sistêmicas podem revelar doenças viscerais ocultas. No caso clínico apresentado, a paciente com adenocarcinoma de pâncreas desenvolveu o que parecia uma celulite, mas que na verdade era uma trombose venosa que evoluiu para tromboembolismo pulmonar (insuficiência respiratória aguda). A resistência ao tratamento antibiótico inicial e a assimetria do edema são pistas fundamentais para o diagnóstico de TVP. O reconhecimento precoce dessa síndrome é vital, pois o manejo exige não apenas a anticoagulação (frequentemente com heparina de baixo peso molecular, que é mais eficaz que varfarina nestes casos), mas principalmente o tratamento da neoplasia de base. A Síndrome de Trousseau é considerada um marcador de mau prognóstico, refletindo uma doença oncológica avançada ou agressiva.
Clinicamente, manifesta-se como tromboflebite superficial migratória, onde coágulos venosos aparecem e desaparecem em diferentes locais do corpo, ou como fenômenos tromboembólicos venosos (TEV) e arteriais recorrentes. É um sinal de alerta clássico para a presença de uma neoplasia maligna subjacente, muitas vezes ainda não diagnosticada.
Os adenocarcinomas são os principais responsáveis, especialmente os de pâncreas (mais comum), pulmão, estômago, cólon e próstata. A produção de mucinas por esses tumores é um fator determinante na ativação da cascata de coagulação.
A fisiopatologia é multifatorial, envolvendo a liberação de fator tecidual pelas células tumorais, a interação de mucinas tumorais com selectinas leucocitárias e plaquetárias, e a ativação direta do fator X. Isso gera um estado pró-trombótico sistêmico que precede ou acompanha o diagnóstico da massa tumoral.
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