SEMUSA (SMS) Macaé — Prova 2021
Gestante de 29 semanas procura o pronto socorro com queixa de desconforto respiratório e aumento rápido do tamanho abdominal. Exame físico com ausculta pulmonar normal e altura uterina de 39 cm. Ultrassonografia demonstrando gravidez gemelar, sendo que um dos fetos apresentava peso de 1150 g, estando acima do percentil 10 (tabela de Hadlock-FP), e o maior bolsão de líquido amniótico media 10 cm, enquanto outro feto apresenta 680 g, estando abaixo do percentil 3 da mesma tabela e o maior bolsão de líquido media 1 cm. Marque a assertiva CORRETA em relação ao caso descrito:
STGG = gravidez monocoriônica + discordância de líquido amniótico (polidramnia/oligoidramnia) + discordância de crescimento fetal.
A Síndrome de Transfusão Gêmeo-Gemelar (STGG) é uma complicação grave de gestações monocoriônicas, caracterizada por desequilíbrio na troca sanguínea entre os fetos. O diagnóstico ultrassonográfico é feito pela combinação de polidramnia em um saco amniótico e oligoidramnia no outro, além de discordância de crescimento.
A Síndrome de Transfusão Gêmeo-Gemelar (STGG) é uma complicação grave e específica de gestações gemelares monocoriônicas, afetando cerca de 10-15% dessas gestações. Sua importância clínica reside na alta morbimortalidade fetal se não diagnosticada e tratada precocemente, sendo um tema frequente em provas de residência e crucial na prática obstétrica. A fisiopatologia da STGG envolve anastomoses vasculares desequilibradas na placenta monocoriônica, levando a um feto (doador) que perfunde o outro (receptor). O feto doador desenvolve hipovolemia, oligúria e oligoidramnia, enquanto o receptor apresenta hipervolemia, poliúria e polidramnia. O diagnóstico é ultrassonográfico, baseado na corionicidade monocoriônica e na discordância de líquido amniótico (polidramnia e oligoidramnia), além de discordância de crescimento e sinais de insuficiência cardíaca no receptor. O tratamento da STGG varia conforme o estadiamento de Quintero, podendo incluir fetoscopia com fotocoagulação a laser das anastomoses placentárias, amniocentese de alívio ou septostomia. O prognóstico depende da gravidade e do momento do diagnóstico e tratamento. É fundamental que residentes saibam identificar precocemente os sinais ultrassonográficos e entender a fisiopatologia para um manejo adequado e encaminhamento oportuno.
A STGG é diagnosticada pela presença de polidramnia (bolsão > 8 cm antes de 20 semanas ou > 10 cm após 20 semanas) em um feto e oligoidramnia (bolsão < 2 cm) no outro, em gestação monocoriônica.
A STGG só ocorre em gestações monocoriônicas, pois é resultado de anastomoses vasculares placentárias que causam desequilíbrio na troca sanguínea entre os fetos.
O feto doador pode desenvolver anemia e restrição de crescimento, enquanto o feto receptor pode apresentar policitemia, hipervolemia, cardiomegalia e hidropsia.
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