STFF: Diagnóstico e Manejo em Gestações Monocoriônicas

HSLRP - Hospital São Luiz Rede D'Or Ribeirão Preto (SP) — Prova 2025

Enunciado

Durante uma ultrassonografia em uma gravidez gemelar monocoriônica, observa-se discrepância significativa no crescimento fetal entre os gêmeos. Qual é o diagnóstico mais provável?

Alternativas

  1. A) Transfusão feto-fetal.
  2. B) Restrição de crescimento seletivo.
  3. C) Anomalias cromossômicas.
  4. D) Infecção congênita.

Pérola Clínica

Discrepância de crescimento em gêmeos monocoriônicos → pensar em STFF ou RCF seletiva.

Resumo-Chave

Em gestações gemelares monocoriônicas, a discrepância significativa no crescimento fetal é um sinal de alerta para a Síndrome de Transfusão Feto-Fetal (STFF), uma complicação grave causada por anastomoses vasculares placentárias desequilibradas, ou para Restrição de Crescimento Fetal Seletiva (RCFs).

Contexto Educacional

A gravidez gemelar monocoriônica, onde os gêmeos compartilham a mesma placenta, apresenta um risco significativamente maior de complicações do que as gestações dicoriônicas. Entre as mais graves está a Síndrome de Transfusão Feto-Fetal (STFF), que afeta cerca de 10-15% dessas gestações. A STFF é causada por anastomoses vasculares desequilibradas na placenta, levando a um fluxo sanguíneo unidirecional de um gêmeo (doador) para o outro (receptor), resultando em discrepância de volume sanguíneo e, consequentemente, de crescimento e líquido amniótico. O diagnóstico da STFF é feito por ultrassonografia, que revela oligodrâmnio no saco do gêmeo doador (bexiga não visível ou pequena) e polidrâmnio no saco do gêmeo receptor (bexiga grande, hidropsia fetal). A discrepância de crescimento é um achado comum, mas não exclusivo da STFF, podendo também indicar Restrição de Crescimento Fetal Seletiva (RCFs), onde a distribuição desigual da massa placentária é o principal fator. O monitoramento ultrassonográfico rigoroso é essencial para detectar essas complicações precocemente. O manejo da STFF depende do estágio da síndrome. Em casos leves, pode-se optar por acompanhamento. No entanto, em estágios mais avançados, a laserterapia endoscópica para coagulação das anastomoses placentárias é o tratamento de escolha, com altas taxas de sobrevida para pelo menos um feto. Outras opções incluem amniodrenagem seriada. O prognóstico da gravidez gemelar monocoriônica com discrepância de crescimento é complexo e exige acompanhamento por equipes especializadas em medicina fetal.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos da Síndrome de Transfusão Feto-Fetal (STFF)?

A STFF é diagnosticada em gestações gemelares monocoriônicas pela presença de oligodrâmnio no saco do gêmeo doador (bolsa máxima < 2 cm) e polidrâmnio no saco do gêmeo receptor (bolsa máxima > 8 cm), além de discrepância de tamanho da bexiga fetal e, frequentemente, discrepância de crescimento.

Qual a diferença entre STFF e Restrição de Crescimento Fetal Seletiva (RCFs)?

Ambas ocorrem em gêmeos monocoriônicos com discrepância de crescimento. A STFF é caracterizada por um desequilíbrio na troca de sangue via anastomoses placentárias, levando a diferenças de volume sanguíneo e líquido amniótico. A RCFs é primariamente uma distribuição desigual da massa placentária, resultando em um feto com restrição de crescimento, mas sem o padrão clássico de oligo/polidrâmnio da STFF.

Qual o tratamento principal para a Síndrome de Transfusão Feto-Fetal?

O tratamento de escolha para a STFF em estágios avançados é a laserterapia endoscópica para coagulação das anastomoses vasculares placentárias. Este procedimento visa interromper a comunicação vascular desequilibrada e restaurar o fluxo sanguíneo independente para cada feto, melhorando significativamente o prognóstico.

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