STFF em Gestações Monocoriônicas: Diagnóstico e Manejo

UFF/HUAP - Hospital Universitário Antônio Pedro - Niterói (RJ) — Prova 2015

Enunciado

O conhecimento do tipo de gestação gemelar é de extrema importância para que possamos estar atentos às suas complicações específicas. Esse conhecimento possibilita ao médico saber que:

Alternativas

  1. A) A Síndrome de Transfusão Feto-Fetal (STFF) é encontrada nos gêmeos monocoriônicos.
  2. B) O risco de morte de um dos fetos é maior nos dicoriônicos.
  3. C) O risco de coagulação intravascular disseminada é muito alto quando ocorre o óbito de um dos fetos.
  4. D) A gestação deve ser interrompida imediatamente quando ocorre o óbito de um dos fetos.
  5. E) O entrelaçamento de cordão ocorre principalmente nos diamnióticos. 

Pérola Clínica

STFF → complicação exclusiva de gestações monocoriônicas devido a anastomoses vasculares placentárias.

Resumo-Chave

A Síndrome de Transfusão Feto-Fetal (STFF) é uma complicação grave e exclusiva de gestações gemelares monocoriônicas, ou seja, aquelas que compartilham a mesma placenta. Isso ocorre devido à presença de anastomoses vasculares na placenta que levam a um desequilíbrio na troca sanguínea entre os fetos.

Contexto Educacional

A gestação gemelar é um evento de alto risco, e o conhecimento do tipo de corionicidade (número de placentas) e amnionicidade (número de bolsas amnióticas) é crucial para prever e manejar suas complicações específicas. A determinação da corionicidade deve ser feita precocemente no primeiro trimestre, idealmente entre 11 e 14 semanas, por ultrassonografia, através da visualização do sinal do lambda (dicoriônica) ou do sinal do T (monocoriônica). As gestações monocoriônicas, que compartilham uma única placenta, são as que apresentam maior risco de complicações específicas, sendo a Síndrome de Transfusão Feto-Fetal (STFF) a mais grave e conhecida. A STFF afeta cerca de 10-15% das gestações monocoriônicas e é causada por anastomoses vasculares desequilibradas na placenta, levando a uma transfusão crônica de sangue de um feto (doador) para o outro (receptor). O feto doador desenvolve oligodrâmnio e restrição de crescimento, enquanto o receptor apresenta polidrâmnio e sobrecarga cardíaca, podendo evoluir para hidropsia e óbito. Outras complicações de gestações monocoriônicas incluem a Síndrome de Anemia-Policitemia Fetal (SAPF), restrição de crescimento seletiva, e o risco de óbito de um dos fetos, que pode levar a complicações neurológicas ou coagulopatia no feto sobrevivente. O entrelaçamento de cordões é uma complicação exclusiva de gestações monoamnióticas (um saco amniótico). O manejo dessas gestações exige acompanhamento ultrassonográfico rigoroso e, em casos de STFF, intervenções como a fotocoagulação a laser das anastomoses placentárias podem ser necessárias para melhorar o prognóstico fetal.

Perguntas Frequentes

O que é a Síndrome de Transfusão Feto-Fetal (STFF)?

A Síndrome de Transfusão Feto-Fetal (STFF) é uma complicação grave que ocorre em gestações gemelares monocoriônicas, caracterizada por um desequilíbrio na troca sanguínea através de anastomoses vasculares placentárias, resultando em um feto doador (hipovolêmico, oligúrico) e um feto receptor (hipervolêmico, poliúrico).

Por que a STFF ocorre apenas em gestações monocoriônicas?

A STFF ocorre exclusivamente em gestações monocoriônicas porque é nessas gestações que os fetos compartilham uma única placenta. A presença de anastomoses vasculares inter-fetais na superfície placentária permite a comunicação sanguínea e, consequentemente, o desequilíbrio de fluxo que caracteriza a síndrome.

Quais são as principais características clínicas dos fetos na STFF?

O feto doador geralmente apresenta restrição de crescimento, oligodrâmnio e bexiga não visível. O feto receptor, por sua vez, manifesta polidrâmnio, hidropsia, cardiomegalia e bexiga distendida, devido à sobrecarga volêmica e insuficiência cardíaca.

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