Síndrome de Transfusão Feto-Fetal: Diagnóstico e Manejo

UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2015

Enunciado

Gestante com 24 semanas procura o pronto atendimento obstétrico com queixa de desconforto respiratório. No exame físico, a ausculta pulmonar estava normal e no exame obstétrico, a altura uterina era de 35 cm. Foi realizada ultrassonografia demonstrando gravidez gemelar, sendo que um dos fetos apresentava peso de 700 gramas e o maior bolsão do líquido amniótico era de 14 cm, enquanto o outro feto apresentava peso de 450 gramas e o maior bolsão de líquido amniótico era de 1 cm. Diante deste quadro, é correto afirmar que trata-se de:

Alternativas

  1. A) gestação monozigótica, monocoriônica e monoamniótica com síndrome de transfusão feto-fetal.
  2. B) gestação monozigótica, monocoriônica e monoamniótica com gemelidade imperfeita. 
  3. C) gestação dizigótica, dicoriônica e diamniótica com superfetação.
  4. D) gestação monozigótica, monocoriônica e diamniótica com síndrome de transfusão feto-fetal.
  5. E) gestação dizigótica, monocoriônica e diamniótica com superfetação.

Pérola Clínica

Polidramnio-oligodramnio + discordância de peso em gestação monocoriônica-diamniótica → Síndrome de Transfusão Feto-Fetal (STFF).

Resumo-Chave

A Síndrome de Transfusão Feto-Fetal (STFF) ocorre em gestações gemelares monocoriônicas e diamnióticas, caracterizada por anastomoses vasculares placentárias desequilibradas, levando a um feto doador (oligodramnio, restrição de crescimento) e um feto receptor (polidramnio, hidropsia).

Contexto Educacional

A gestação gemelar monocoriônica, que compartilha uma única placenta, apresenta um risco aumentado de complicações específicas, sendo a Síndrome de Transfusão Feto-Fetal (STFF) uma das mais graves. A STFF ocorre em aproximadamente 10-15% das gestações monocoriônicas e é resultado de anastomoses vasculares desequilibradas na placenta. Clinicamente, a STFF é caracterizada por um feto 'doador' que apresenta oligodramnio (bolsão de líquido amniótico < 2 cm) e restrição de crescimento, e um feto 'receptor' que desenvolve polidramnio (bolsão de líquido amniótico > 8-10 cm), cardiomegalia e, em casos avançados, hidropsia. A discordância de peso entre os fetos é um achado comum, mas o diagnóstico é primariamente baseado na diferença de volume de líquido amniótico. O manejo da STFF depende do estágio da síndrome e da idade gestacional, podendo variar de vigilância intensiva a intervenções intrauterinas, como a fotocoagulação a laser das anastomoses placentárias. O reconhecimento precoce e a referência a centros especializados são cruciais para melhorar o prognóstico dos fetos.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos ultrassonográficos para STFF?

Os critérios incluem polidramnio no saco do feto receptor (maior bolsão > 8 cm antes de 20 semanas ou > 10 cm após) e oligodramnio no saco do feto doador (maior bolsão < 2 cm), além de discordância de peso e outras alterações.

Por que a STFF ocorre apenas em gestações monocoriônicas?

A STFF ocorre devido à presença de anastomoses vasculares na placenta compartilhada por gêmeos monocoriônicos, que permitem a transfusão desequilibrada de sangue entre os fetos, levando a desbalanço de volume e perfusão.

Qual a principal complicação da STFF para os fetos?

A STFF pode levar a complicações graves para ambos os fetos, incluindo insuficiência cardíaca e hidropsia no receptor, e restrição de crescimento e morte fetal no doador, além de prematuridade e sequelas neurológicas.

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