Síndrome Torácica Aguda na Anemia Falciforme: Condutas

PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2025

Enunciado

Mulher de 25 anos vai ao Pronto-Socorro queixando-se de dor torácica ventilatório-dependente no hemitórax direito e dor nos quatro membros há dois dias. No momento, apresenta dispneia aos mínimos esforços e piora das dores. É portadora de anemia falciforme SS, e a hemoglobina basal é 9,6 g/dL. Iniciou o uso de hidroxiureia há duas semanas. Ao exame físico, PA 124/82 mmHg, FC 122 bpm, SpO2 88% (ar ambiente), FR 24 ipm, TAx 38,4°C. O exame respiratório revela taquipneia e crepitações teleinspiratórias na base do hemitórax direito. EXAMES DE LABORATÓRIO: Hg 7,2 g/dL; leucócitos 15.900/mm³; neutrófilos 13.430/mm³; proteína C Reativa 45 mg/L: Assinale a alternativa que apresenta uma conduta INADEQUADA:

Alternativas

  1. A) Prescrever ceftriaxona e azitromicina IV.
  2. B) Realizar transfusão de concentrado de hemácias.
  3. C) Solicitar angioTC do tórax.
  4. D) Suspender hidroxiureia.

Pérola Clínica

Síndrome Torácica Aguda → O2 + ATB + Hidratação + Transfusão; NÃO suspender hidroxiureia.

Resumo-Chave

A Síndrome Torácica Aguda (STA) é uma emergência médica na anemia falciforme. A hidroxiureia é uma terapia preventiva crônica e não deve ser suspensa durante a crise aguda.

Contexto Educacional

A Síndrome Torácica Aguda (STA) é uma complicação vaso-oclusiva pulmonar grave. O manejo envolve suporte ventilatório para manter SpO2 > 92%, analgesia rigorosa (evitando excesso de opioides que causem depressão respiratória), hidratação cautelosa e antibioticoterapia precoce. A hidroxiureia atua aumentando a produção de hemoglobina fetal (HbF), o que reduz a polimerização da HbS e a frequência de crises. Sua suspensão só é indicada em casos de toxicidade medular grave (neutropenia ou trombocitopenia severas), o que não é o caso da paciente, que apresenta leucocitose. A angioTC é útil para excluir tromboembolismo pulmonar, que é um diagnóstico diferencial importante.

Perguntas Frequentes

O que define a Síndrome Torácica Aguda (STA)?

A STA é definida pela presença de um novo infiltrado pulmonar na radiografia de tórax associado a pelo menos um dos seguintes: febre, dor torácica, taquipneia, sibilância ou tosse. É uma das principais causas de morte em pacientes com anemia falciforme e resulta de uma combinação de infecção, infarto pulmonar e embolia gordurosa.

Qual o papel da antibioticoterapia na STA?

Como é difícil diferenciar infarto pulmonar de pneumonia bacteriana, todos os pacientes com STA devem receber antibióticos de amplo espectro. A cobertura deve incluir patógenos típicos (como S. pneumoniae) e atípicos (como Mycoplasma e Chlamydia), justificando o uso de uma cefalosporina de 3ª geração associada a um macrolídeo.

Quando indicar transfusão de sangue na STA?

A transfusão de concentrado de hemácias está indicada para melhorar a oxigenação e reduzir a porcentagem de hemoglobina S (HbS). Deve ser considerada se houver queda da hemoglobina basal, hipoxemia progressiva ou sinais de gravidade clínica. Em casos graves, a eritrocitaférese (transfusão de troca) é preferível para reduzir rapidamente a HbS para < 30%.

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