FAA/UNIFAA - Hospital Escola Luiz Gioseffi Jannuzzi (RJ) — Prova 2015
Paciente 27 anos, portadora de anemia falciforme dá entrada na emergência com queixas de dor torácica de forte intensidade e febre de 39 graus Celsius. Rx de tórax com infiltrado em base pulmonar direita. Diante do exposto acima devemos:
Crise Torácica Aguda em anemia falciforme → emergência médica: internação, analgesia, hidratação, ATB e O2.
A Síndrome Torácica Aguda (STA) é uma complicação grave da anemia falciforme, caracterizada por dor torácica, febre e novo infiltrado pulmonar. Requer internação imediata e tratamento agressivo para prevenir complicações respiratórias graves e mortalidade, incluindo suporte respiratório, analgesia potente, hidratação cuidadosa e antibioticoterapia de amplo espectro.
A anemia falciforme é uma hemoglobinopatia genética que causa a polimerização da hemoglobina S, levando à deformação dos eritrócitos e oclusão microvascular. A Síndrome Torácica Aguda (STA) é uma das complicações mais graves e frequentes, sendo a principal causa de morte em pacientes com anemia falciforme. Sua incidência é maior em crianças, mas pode ocorrer em qualquer idade. É uma emergência médica que exige reconhecimento e tratamento imediatos. A fisiopatologia da STA é multifatorial, envolvendo infecção (bacteriana ou viral), embolia gordurosa (liberada da medula óssea infartada), infarto pulmonar e atelectasias. O diagnóstico é clínico-radiológico, com dor torácica, febre e novo infiltrado pulmonar no raio-X de tórax. A suspeita deve ser alta em qualquer paciente falciforme com dor torácica e febre, mesmo sem infiltrado inicial, pois este pode se desenvolver posteriormente. O tratamento da STA é agressivo e multidisciplinar. Inclui oxigenoterapia para manter a saturação acima de 92%, analgesia potente para controlar a dor intensa, hidratação venosa cuidadosa para evitar sobrecarga hídrica, e antibioticoterapia de amplo espectro (geralmente uma cefalosporina de terceira geração e um macrolídeo para cobrir atípicos). Em casos graves ou com piora clínica, a transfusão de hemácias (simples ou de troca) é indicada para aumentar a concentração de hemoglobina A e reduzir a hemoglobina S, melhorando a oxigenação tecidual e a perfusão pulmonar. Corticosteroides podem ser considerados em casos selecionados, mas seu uso é controverso.
Os critérios diagnósticos incluem um novo infiltrado pulmonar no raio-X de tórax, acompanhado de febre (>38,5°C) e/ou sintomas respiratórios como dor torácica, tosse, taquipneia ou dispneia. Pode ser desencadeada por infecção, embolia gordurosa ou infarto pulmonar.
A conduta inicial é a internação hospitalar imediata, oxigenoterapia para manter saturação >92%, analgesia potente (opioides), hidratação venosa cuidadosa (para evitar sobrecarga hídrica), e antibioticoterapia de amplo espectro cobrindo patógenos típicos e atípicos. Transfusão de hemácias (simples ou de troca) pode ser necessária em casos graves.
A hidratação venosa é importante para combater a desidratação e a hiperviscosidade, mas deve ser cuidadosa para evitar a sobrecarga hídrica, que pode piorar o infiltrado pulmonar e levar à insuficiência respiratória. O objetivo é manter um estado de euvolemia.
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