HR Presidente Prudente - Hospital Regional de Presidente Prudente (SP) — Prova 2025
Homem de 23 anos, portador de anemia falciforme, apresenta-se no pronto-socorro com dor torácica e tosse há 6 horas. Ao exame físico, possuía saturação periférica de oxigênio de 85% em ar ambiente, necessitando de oxigênio por cateter nasal 2 L/min, e crepitações finas em base de hemitórax direito. Radiografia de tórax mostrou presença de opacidade pulmonar em base pulmonar direita. Hemograma com hemoglobina de 10 g/dL.De acordo com esse caso, é correto afirmar que
Anemia Falciforme + dor torácica + infiltrado pulmonar + hipoxemia = Síndrome Torácica Aguda → iniciar ATB empírico.
A Síndrome Torácica Aguda (STA) é uma complicação grave da anemia falciforme, caracterizada por dor torácica, infiltrado pulmonar novo e hipoxemia. A antibioticoterapia empírica precoce é fundamental, pois infecções são gatilhos comuns e a diferenciação de outras causas é difícil inicialmente.
A Síndrome Torácica Aguda (STA) é uma das complicações mais graves e potencialmente fatais da anemia falciforme, sendo a principal causa de morte em adultos com a doença. Caracteriza-se por um novo infiltrado pulmonar na radiografia de tórax, associado a sintomas respiratórios como dor torácica, tosse, febre, taquipneia ou hipoxemia. Sua alta prevalência e morbimortalidade exigem reconhecimento e manejo rápidos por parte dos residentes. A fisiopatologia da STA é multifatorial, envolvendo vaso-oclusão nos capilares pulmonares, infecção (bacteriana, viral, atípica), embolia gordurosa (especialmente após crises álgicas ósseas) e inflamação. A hipoxemia resultante pode levar a um ciclo vicioso de falcização e piora da oclusão. O diagnóstico é clínico-radiológico, e a diferenciação entre infecção e outras causas é desafiadora no início, o que justifica a abordagem empírica. O manejo da STA é complexo e inclui oxigenoterapia para manter a saturação >92%, analgesia agressiva para dor torácica, hidratação intravenosa cautelosa, e, crucialmente, antibioticoterapia empírica de amplo espectro cobrindo patógenos típicos (Streptococcus pneumoniae, Haemophilus influenzae) e atípicos (Mycoplasma pneumoniae, Chlamydia pneumoniae). Em casos graves, a transfusão de hemácias ou eritrocitoaférese para reduzir a hemoglobina S é indicada.
Os critérios incluem um novo infiltrado pulmonar na radiografia de tórax, associado a pelo menos um dos seguintes: febre, tosse, dor torácica, taquipneia, sibilância ou hipoxemia.
Infecções bacterianas (incluindo atípicas como Mycoplasma pneumoniae e Chlamydia pneumoniae) e virais são gatilhos comuns da STA. A antibioticoterapia precoce e de amplo espectro é vital para cobrir esses patógenos e melhorar o prognóstico, dada a gravidade da condição.
A transfusão simples ou de troca (eritrocitoaférese) é indicada em casos de STA grave, como hipoxemia progressiva, piora do infiltrado, anemia grave ou falha na resposta ao tratamento inicial. O objetivo é reduzir a porcentagem de hemoglobina S e melhorar a oxigenação.
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