HSL Copacabana - Hospital São Lucas Copacabana (RJ) — Prova 2021
Adolescente, 10 anos portador de anemia falciforme é atendido em uma unidade de emergência com quadro de febre elevada há 24h e sintomas gripais. Durante o período em que permanece na unidade em observação apresenta dor torácica e queda na saturação de hemoglobina (90%). Ausculta pulmonar: diminuída de forma discreta à esquerda. FC: normal. A hipótese diagnóstica e a conduta mais provável para esse quadro são:
Anemia falciforme + febre + dor torácica + hipoxemia → Síndrome Torácica Aguda = Internação, ATB, analgesia, transfusão.
A Síndrome Torácica Aguda (STA) é uma complicação grave da anemia falciforme, caracterizada por febre, dor torácica, infiltrado pulmonar novo e hipoxemia. O tratamento é emergencial e inclui internação, analgesia potente, antibioticoterapia de amplo espectro e, frequentemente, transfusão de hemácias para melhorar a oxigenação e reduzir a falcização.
A anemia falciforme é uma hemoglobinopatia hereditária grave, caracterizada pela produção de hemoglobina S, que polimeriza em condições de hipóxia, desidratação ou acidose, deformando os eritrócitos em forma de foice. Essa falcização leva a crises vaso-oclusivas, hemólise crônica e disfunção orgânica progressiva. A Síndrome Torácica Aguda (STA) é uma das complicações mais graves e potencialmente fatais da anemia falciforme, sendo a principal causa de morte em adultos com a doença. A STA é definida pela presença de um novo infiltrado pulmonar na radiografia de tórax, associado a febre, dor torácica, taquipneia, tosse ou hipoxemia. Sua fisiopatologia é multifatorial, envolvendo vaso-oclusão pulmonar, infecção (bacteriana ou viral), embolia gordurosa da medula óssea e hipoventilação. O diagnóstico precoce e o tratamento agressivo são cruciais para evitar a progressão para insuficiência respiratória e óbito. O manejo da STA requer internação hospitalar e inclui analgesia potente para controlar a dor torácica, oxigenoterapia para corrigir a hipoxemia, antibioticoterapia de amplo espectro (cobrir patógenos típicos e atípicos) e, frequentemente, transfusão de hemácias. A transfusão, seja simples ou de troca, visa aumentar a hemoglobina A e reduzir a concentração de hemácias falciformes, melhorando o fluxo sanguíneo pulmonar e a oxigenação. A monitorização contínua e o suporte respiratório são essenciais.
Os critérios incluem um novo infiltrado pulmonar na radiografia de tórax, associado a febre, dor torácica, taquipneia, tosse ou hipoxemia, em paciente com doença falciforme.
A transfusão de hemácias, especialmente a transfusão de troca, visa aumentar a concentração de hemoglobina A, melhorar a oxigenação tecidual, reduzir a viscosidade sanguínea e diminuir a proporção de hemácias falciformes, interrompendo o ciclo de falcização e oclusão vascular pulmonar.
A antibioticoterapia de amplo espectro é crucial porque a STA pode ser desencadeada por infecções bacterianas (típicas e atípicas) ou por infartos pulmonares assépticos que podem ser complicados por infecção secundária.
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