Manejo da Síndrome Torácica Aguda na Anemia Falciforme

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2017

Enunciado

Uma criança com 6 anos de idade, portadora de anemia falciforme, é internada com quadro de febre de 38,5 ºC associada a tosse, dispneia intensa e dor torácica há 3 dias. Ao exame físico, encontra-se hipoativa, hipocorada +++/4, taquipneica, taquicárdica, com sopro sistólico de ++/6, fígado a 2 cm do rebordo costal direito e baço não palpável, saturação de O₂ = 92% em ar ambiente. Radiografia de tórax revela opacificações em lobos inferiores. O hemograma revela hemoglobina = 6,0 g/dL (valor de referência: 12 a 16 g/dL), sendo a hemoglobina do mês anterior igual a 7,2 g/dL. Foram iniciados os procedimentos de oxigenioterapia com máscara com reservatório a 10 L/min, hidratação venosa e analgesia, observando-se elevação da saturação de O₂ para 94%. Nesse caso, a conduta terapêutica adequada é:

Alternativas

  1. A) Transfusão de concentrado de hemácias e início de antibioticoterapia empírica de amplo espectro.
  2. B) Transfusão de concentrado de hemácias e instalação de BIPAP.
  3. C) Antibioticoterapia empírica de amplo espectro e surfactante.
  4. D) Exosanguineotransfusão parcial e instalação de BIPAP.

Pérola Clínica

Febre + infiltrado pulmonar novo na anemia falciforme = Síndrome Torácica Aguda → ATB + Transfusão.

Resumo-Chave

A Síndrome Torácica Aguda é uma emergência médica na anemia falciforme. O tratamento requer suporte de oxigênio, antibioticoterapia de amplo espectro e transfusão de hemácias.

Contexto Educacional

A Síndrome Torácica Aguda (STA) é a principal causa de morte em adultos com anemia falciforme e uma das complicações mais graves na pediatria. Sua fisiopatologia é multifatorial, envolvendo infecção, embolia gordurosa (decorrente de infarto da medula óssea) e infarto pulmonar in situ por vaso-oclusão. A hipóxia resultante gera um ciclo vicioso, promovendo mais falcização e agravando a oclusão vascular. O manejo agressivo é crucial. Além da antibioticoterapia e transfusão, a hidratação deve ser cautelosa para evitar edema pulmonar, e a analgesia é fundamental para permitir uma expansão torácica adequada, prevenindo atelectasias. O uso de espirometria de incentivo é uma medida preventiva e terapêutica recomendada para todos os pacientes internados com crise dolorosa para evitar a progressão para STA.

Perguntas Frequentes

Como é definida a Síndrome Torácica Aguda (STA)?

A STA é definida pela presença de um novo infiltrado pulmonar na radiografia de tórax (envolvendo pelo menos um lobo pulmonar completo) associado a sintomas respiratórios (tosse, dispneia, dor torácica) ou febre, em um paciente com anemia falciforme.

Qual o papel da transfusão de sangue na STA?

A transfusão (simples ou exsangueotransfusão) visa aumentar a capacidade de transporte de oxigênio e reduzir a porcentagem de Hemoglobina S (HbS), diminuindo a polimerização e a vaso-oclusão nos capilares pulmonares. É indicada em casos de queda significativa da hemoglobina basal ou insuficiência respiratória progressiva.

Quais antibióticos devem ser iniciados na STA?

A antibioticoterapia deve ser de amplo espectro, cobrindo patógenos comuns (como S. pneumoniae) e, obrigatoriamente, germes atípicos (Mycoplasma pneumoniae e Chlamydia pneumoniae), geralmente utilizando uma cefalosporina de 3ª geração associada a um macrolídeo.

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