Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2019
Paciente 22 anos, HBSC, histórico de AVCI prévio com exsanguíneo transfusão, crises álgicas frequentes, vem ao PS por nova crise iniciada há dois dias. Dessa vez, relata dor torácica acompanhada de sensação de dispneia leve ao repouso. Nega tosse produtiva, febre ou histórico parecido. Sinais vitais: FC = 100 bpm, FR = 25 irpm; PA = 140 x 90 mmHg; SaO₂ = 90%; Glasgow = 15. Sobre o quadro acima, é correto afirmar:
Paciente com anemia falciforme + dor torácica + dispneia + hipoxemia → suspeitar de Síndrome Torácica Aguda (STA).
A Síndrome Torácica Aguda (STA) é uma complicação grave da anemia falciforme, caracterizada por dor torácica, infiltrado pulmonar novo na radiografia e, frequentemente, febre e dispneia. A hipoxemia é um sinal de alerta importante. A suspeita clínica e a radiografia de tórax são essenciais para o diagnóstico precoce.
A anemia falciforme é uma hemoglobinopatia genética que predispõe a crises vaso-oclusivas, sendo a Síndrome Torácica Aguda (STA) uma de suas complicações mais graves e a principal causa de morte em adultos com a doença. A STA é caracterizada por um novo infiltrado pulmonar na radiografia de tórax, acompanhado de sintomas como dor torácica, febre, tosse ou dispneia. A fisiopatologia da STA é complexa e multifatorial, envolvendo a oclusão microvascular pulmonar por células falciformes, infecção (viral, bacteriana ou atípica), embolia gordurosa (especialmente após crises álgicas ósseas) e inflamação. A hipoxemia é um achado comum e um fator de pior prognóstico, pois a baixa saturação de oxigênio perpetua a falcização e a oclusão. O diagnóstico precoce e o tratamento agressivo são cruciais. A abordagem inicial inclui oxigenoterapia, hidratação intravenosa, analgesia adequada para a dor vaso-oclusiva, e antibioticoterapia empírica de amplo espectro, cobrindo patógenos típicos e atípicos. A transfusão de troca ou simples pode ser indicada em casos de hipoxemia grave ou progressão da doença. Residentes devem estar atentos à apresentação atípica da STA e à necessidade de rápida intervenção.
Os critérios incluem dor torácica, febre, taquipneia, tosse, dispneia ou hipoxemia, associados a um novo infiltrado pulmonar na radiografia de tórax, não explicado por atelectasia ou derrame pleural.
A conduta inicial envolve oxigenoterapia para manter SaO2 > 92%, hidratação intravenosa, analgesia potente, e radiografia de tórax. Antibioticoterapia empírica deve ser iniciada prontamente.
A STA é grave devido à oclusão microvascular nos pulmões, levando a isquemia, inflamação, infecção e hipoxemia, podendo progredir para insuficiência respiratória aguda e óbito se não tratada rapidamente.
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