UFF/HUAP - Hospital Universitário Antônio Pedro - Niterói (RJ) — Prova 2021
Paciente, 9 anos, pardo, dá entrada no pronto atendimento com história de febre há três dias e tosse. Há 24 horas, apresenta dor torácica. Relata várias internações devido a crises dolorosas. Ao exame físico, encontra-se em regular estado geral, hipocorado ++/4+, hidratado, acianótico, ictérico +/4+. Frequência cardíaca = 110 batimentos por minuto, frequência respiratória = 30 incursões por minuto, pressão arterial = 90x60mmHg, ritmo cardíaco regular em dois tempos, sem sopros. Abdome flácido à palpação, indolor, sem visceromegalias. Restante do exame físico sem alterações. Caderneta de vacinação em dia. Com relação a esse quadro, assinale a afirmativa correta
Criança falciforme + febre, tosse, dor torácica → Síndrome Torácica Aguda (STA) → internação urgente.
O quadro clínico de febre, tosse e dor torácica em um paciente com histórico de crises dolorosas (sugestivo de doença falciforme) é altamente compatível com Síndrome Torácica Aguda (STA), uma complicação grave da doença falciforme que requer internação e tratamento imediato.
A Doença Falciforme é uma hemoglobinopatia genética que afeta milhões de pessoas globalmente, com alta prevalência no Brasil. Caracteriza-se pela produção de hemoglobina S, que polimeriza em condições de hipóxia, levando à deformação dos eritrócitos em forma de foice. Essa alteração causa hemólise crônica, anemia, e oclusão microvascular, resultando em crises álgicas, disfunção orgânica e diversas complicações graves. A Síndrome Torácica Aguda (STA) é uma das complicações mais sérias e frequentes, sendo a principal causa de morte em pacientes com doença falciforme. A fisiopatologia da STA envolve uma combinação de infecção pulmonar (viral, bacteriana ou atípica), embolia gordurosa (resultante de necrose medular óssea durante crises álgicas) e infarto pulmonar. O diagnóstico é clínico e radiológico, com febre, tosse, dor torácica e um novo infiltrado pulmonar na radiografia. A suspeita deve ser alta em qualquer paciente falciforme com sintomas respiratórios. O manejo da STA é uma emergência médica. Inclui internação hospitalar, oxigenoterapia para manter saturação >92-95%, hidratação venosa, analgesia potente para a dor torácica, e antibioticoterapia empírica de amplo espectro que cubra patógenos típicos (Streptococcus pneumoniae, Haemophilus influenzae) e atípicos (Mycoplasma pneumoniae, Chlamydia pneumoniae). Em casos de hipoxemia progressiva, piora clínica ou infiltrados extensos, a transfusão de troca é indicada para reduzir a concentração de hemoglobina S e melhorar o transporte de oxigênio. A prevenção de crises e a vacinação são fundamentais no acompanhamento desses pacientes.
A STA é definida pela presença de novo infiltrado pulmonar na radiografia de tórax, associado a febre e/ou sintomas respiratórios como tosse, dor torácica ou dispneia, em pacientes com doença falciforme.
A STA é uma das principais causas de morbimortalidade em pacientes com doença falciforme, podendo levar a insuficiência respiratória aguda, hipoxemia grave e óbito se não tratada prontamente.
O tratamento inclui oxigenoterapia, hidratação, analgesia, antibioticoterapia de amplo espectro (cobrindo germes atípicos como Mycoplasma e Chlamydia, além de bactérias comuns), e, em casos graves, transfusão de troca.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo