PSU PRMMT - Processo Seletivo Unificado de Residência Médica do MT — Prova 2025
Adolescente de 12 anos, portadora de anemia falciforme, é atendida na emergência com febre elevada há 24 horas e sintomas gripais. Durante o período de observação, apresenta dor torácica e queda na saturação de oxigênio (90%). Ausculta pulmonar revela redução discreta do murmúrio vesicular à esquerda. FC normal. Qual a hipótese diagnóstica e a conduta mais provável?
Anemia falciforme + febre + dor torácica + hipoxemia → Síndrome Torácica Aguda (STA); tratar com internação, analgesia, ATB e transfusão.
A Síndrome Torácica Aguda (STA) é uma complicação grave da anemia falciforme, caracterizada por novo infiltrado pulmonar no raio-X, febre e/ou sintomas respiratórios. A conduta inclui internação, analgesia para dor vaso-oclusiva, antibioticoterapia empírica (cobrindo atípicos) e, frequentemente, transfusão de hemácias para melhorar a oxigenação e reduzir a sicklemia.
A anemia falciforme é uma hemoglobinopatia hereditária grave, e a Síndrome Torácica Aguda (STA) é uma de suas complicações mais sérias e potencialmente fatais, sendo a principal causa de morte em pacientes com doença falciforme. Ela é definida pela presença de um novo infiltrado pulmonar na radiografia de tórax, associado a febre e/ou sintomas respiratórios, como dor torácica, tosse, taquipneia ou hipoxemia. A fisiopatologia da STA é multifatorial, envolvendo oclusão microvascular pulmonar por hemácias falciformes, infecção (viral ou bacteriana), embolia gordurosa da medula óssea e hipoventilação. A hipoxemia, como a observada no caso (saturação de 90%), é um sinal de gravidade e indica a necessidade de intervenção imediata para prevenir a progressão da lesão pulmonar. O manejo da STA é uma emergência médica e requer internação hospitalar. A conduta inclui analgesia potente para controlar a dor vaso-oclusiva, oxigenoterapia para manter a saturação acima de 92%, antibioticoterapia empírica de amplo espectro (cobrindo patógenos típicos e atípicos) e, crucialmente, a transfusão de hemácias. A transfusão (simples ou de troca) visa diluir as hemácias falciformes, aumentar a oferta de oxigênio e interromper o ciclo de falcização e oclusão, sendo uma medida que pode salvar vidas.
Os critérios incluem novo infiltrado pulmonar na radiografia de tórax, associado a febre, dor torácica, taquipneia, sibilância ou tosse, em pacientes com doença falciforme.
A transfusão de hemácias (simples ou de troca) é fundamental para aumentar a concentração de hemoglobina A, melhorar a oxigenação tecidual, reduzir a proporção de hemácias falciformes e quebrar o ciclo vicioso da vaso-oclusão pulmonar.
A antibioticoterapia deve cobrir bactérias típicas (Streptococcus pneumoniae, Haemophilus influenzae) e atípicas (Mycoplasma pneumoniae, Chlamydophila pneumoniae), frequentemente com uma cefalosporina de terceira geração e um macrolídeo.
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