SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2020
Paciente de 5 anos de idade, com história de anemia falciforme (HbSS), é levado para atendimento médico com queixa de tosse, dor torácica e febre de 38,7 C há 1 dia. Estava assintomático havia 4 meses. Ao exame físico apresenta-se descorado moderado, anictérico, acianótico, afebril. Ausculta pulmonar: discretos sibilos bilaterais e poucos roncos. Tiragem subcostal leve. Ausculta cardíaca e propedêutica abdominal sem alterações significativas. Pulsos cheios e perfusão periférica de 2 segundos. Rx de tórax com infiltrado leve em bases bilateralmente, principalmente à direita. Gasometria arterial com saturação 90% em ar ambiente. Hemoglobina: 8,1 g/dL e Hematócrito 25,4%. Após o início de oxigenioterapia e analgesia adequada, a melhor conduta para esse paciente, dentre as abaixo, é:
Síndrome Torácica Aguda (STA) em falciforme: O2, analgesia, ATB (típicos + atípicos), transfusão (se hipóxia/anemia).
A Síndrome Torácica Aguda (STA) é uma complicação grave da anemia falciforme, caracterizada por novo infiltrado pulmonar no raio-X de tórax, associado a febre e/ou sintomas respiratórios. O tratamento envolve oxigenioterapia para hipóxia, analgesia para a dor torácica, antibióticos de amplo espectro cobrindo patógenos típicos e atípicos (ex: Ceftriaxone + Macrolídeo) e, frequentemente, transfusão de concentrado de hemácias para melhorar a oxigenação e reduzir a porcentagem de hemácias falciformes, especialmente em casos de hipóxia e anemia significativa.
A anemia falciforme é uma hemoglobinopatia hereditária que predispõe a diversas complicações, sendo a Síndrome Torácica Aguda (STA) uma das mais graves e com maior potencial de morbimortalidade, especialmente em crianças. A STA é a principal causa de morte em pacientes com anemia falciforme e exige reconhecimento e tratamento imediatos. A fisiopatologia da STA envolve vaso-oclusão nos capilares pulmonares, que pode ser precipitada por infecções (virais ou bacterianas), embolia gordurosa (após infarto ósseo) ou infarto pulmonar. Os sintomas são inespecíficos, como febre, tosse e dor torácica, mas a presença de um novo infiltrado no raio-X de tórax é o critério diagnóstico essencial. A hipóxia é um sinal de gravidade e indica a necessidade de intervenção agressiva. O tratamento da STA é multifacetado e inclui oxigenioterapia, analgesia, hidratação cuidadosa, e antibióticos de amplo espectro. A transfusão de concentrado de hemácias é um pilar do tratamento, especialmente em casos de hipóxia, anemia grave ou progressão rápida da doença, visando reduzir a porcentagem de hemácias falciformes e melhorar a oxigenação. Para residentes, é vital ter um alto índice de suspeita para STA em pacientes falciformes com sintomas respiratórios e iniciar o tratamento de forma expedita para evitar desfechos desfavoráveis.
A STA é diagnosticada pela presença de um novo infiltrado pulmonar no raio-X de tórax, associado a febre (>38,5°C) e/ou sintomas respiratórios como tosse, dor torácica ou dispneia. Pode ser desencadeada por infecção, embolia gordurosa ou infarto pulmonar.
A transfusão de concentrado de hemácias é crucial para aumentar a oferta de oxigênio aos tecidos, corrigir a anemia e, principalmente, diluir a concentração de hemácias falciformes. Isso ajuda a reduzir a vaso-oclusão nos capilares pulmonares, melhorando a função pulmonar e prevenindo a progressão da doença.
A cobertura antibiótica deve ser de amplo espectro, visando patógenos bacterianos típicos (como Streptococcus pneumoniae, Haemophilus influenzae) e atípicos (como Mycoplasma pneumoniae, Chlamydia pneumoniae). Uma combinação comum é uma cefalosporina de terceira geração (ex: Ceftriaxone) com um macrolídeo (ex: Azitromicina ou Clarithromicina).
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