UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2025
Mulher, 26a, procura o Pronto Atendimento por dor intensa em hemitórax direito iniciado há três dias, evoluindo hoje com dispneia. Antecedentes pessoais: anemia falciforme. Exames laboratoriais: hemoglobina = 5,8 g/dL; hematócrito = 17%; leucócitos = 12840/mm³ (segmentados = 84%, bastões = 2%, linfócitos = 12%, monócitos = 1%, eosinófilos = 1%); plaquetas = 745.000/mm³; bilirrubinas totais = 8,4 mg/dL; bilirrubina direta = 0,88 mg/dL; bilirrubina indireta = 7,52 mg/dL; LDH = 843UI/L; creatinina = 1,04 mg/dL; ureia = 54 mg/dL. Sobre o manejo inicial do quadro, assinale a alternativa correta:
Dor torácica + dispneia + novo infiltrado pulmonar na anemia falciforme = Síndrome Torácica Aguda.
A Síndrome Torácica Aguda (STA) é uma emergência médica em falcêmicos. O manejo exige analgesia, oxigenoterapia, antibioticoterapia (incluindo macrolídeos) e monitorização rigorosa para necessidade de transfusão.
A Síndrome Torácica Aguda (STA) representa uma complicação pulmonar grave da anemia falciforme, frequentemente desencadeada por infecção, embolia gordurosa (proveniente da medula óssea infartada) ou hipoventilação secundária a crises álgicas em costelas. A fisiopatologia envolve a foicização de hemácias na microvasculatura pulmonar, gerando inflamação, edema e hipóxia, o que retroalimenta o ciclo de vaso-oclusão. O manejo inicial foca na estabilização clínica: analgesia criteriosa (evitando depressão respiratória por opioides), hidratação parcimoniosa para evitar edema pulmonar, fisioterapia respiratória (espirometria de incentivo) e antibioticoterapia empírica. A monitorização da saturação de oxigênio é mandatória, e a realização de radiografia de tórax é o padrão-ouro para confirmar o diagnóstico diante de qualquer sintoma respiratório novo no paciente falcêmico.
A STA é definida pela presença de um novo infiltrado pulmonar na radiografia de tórax (envolvendo pelo menos um segmento pulmonar completo) associado a sintomas respiratórios como tosse, dispneia, dor torácica ou febre em pacientes com anemia falciforme. É uma das principais causas de morte e hospitalização nessa população, exigindo diagnóstico rápido e intervenção agressiva para evitar insuficiência respiratória.
O tratamento deve cobrir patógenos comuns e atípicos. Geralmente, utiliza-se uma cefalosporina de terceira geração (como Ceftriaxona) associada a um macrolídeo (como Azitromicina ou Claritromicina). A cobertura para germes atípicos (Mycoplasma e Chlamydia) é fundamental, pois estes são gatilhos frequentes para crises vaso-oclusivas pulmonares em crianças e adultos.
A transfusão (simples ou exsangueíneo-transfusão) está indicada em casos de hipoxemia persistente (SatO2 < 92% em ar ambiente), queda acentuada da hemoglobina basal, progressão rápida do infiltrado pulmonar ou sinais de desconforto respiratório grave. O objetivo é reduzir a porcentagem de Hemoglobina S (HbS) e melhorar a oferta de oxigênio tecidual.
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