TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2025
Paciente de 24 anos, sexo masculino, com diagnóstico conhecido de anemia falciforme (HbSS), procura atendimento com dor torácica súbita, dispneia, febre baixa e queda na saturação de oxigênio. O exame físico mostra crepitações bibasais e taquipneia. Hemograma revela Hb: 7,2 g/dL, leucocitose com neutrofilia e reticulocitose. Radiografia de tórax mostra infiltrado pulmonar novo em base direita. Sobre o quadro apresentado, assinale a alternativa que contém a conduta mais apropriada:
Infiltrado novo + febre/dor/dispneia em HbSS = Síndrome Torácica Aguda (STA).
A STA é uma emergência médica na anemia falciforme. O manejo envolve suporte respiratório, analgesia, hidratação parcimoniosa, antibióticos (cobertura para germes atípicos) e hemotransfusão.
A Síndrome Torácica Aguda (STA) é uma complicação pulmonar aguda e potencialmente fatal da anemia falciforme, resultante de uma combinação de infecção, infarto pulmonar por vaso-oclusão e embolia gordurosa da medula óssea. A fisiopatologia envolve um ciclo vicioso de hipóxia, falcização e inflamação endotelial. O manejo clínico exige vigilância rigorosa. Além da antibioticoterapia e suporte de oxigênio, a analgesia deve ser cuidadosa para evitar depressão respiratória, e a hidratação deve ser cautelosa para prevenir edema pulmonar. A identificação precoce e a intervenção agressiva com hemotransfusão são determinantes para o prognóstico favorável do paciente.
O diagnóstico é clínico-radiológico, definido pelo aparecimento de um novo infiltrado pulmonar na radiografia de tórax (envolvendo pelo menos um segmento pulmonar completo) associado a pelo menos um dos seguintes sinais ou sintomas: febre > 38,5°C, dor torácica, taquipneia, sibilância, tosse ou hipoxemia (queda da saturação basal). É a principal causa de morte em adultos com anemia falciforme.
A cobertura deve ser ampla, incluindo patógenos comuns (como S. pneumoniae) e, obrigatoriamente, germes atípicos (Mycoplasma pneumoniae e Chlamydia pneumoniae). O esquema clássico envolve uma cefalosporina de 3ª geração (ex: Ceftriaxone) associada a um macrolídeo (ex: Azitromicina ou Claritromicina).
A transfusão está indicada para melhorar a oxigenação e reduzir o percentual de HbS. A transfusão simples é utilizada em casos leves a moderados para elevar a Hb para cerca de 10 g/dL. Em casos graves (hipoxemia persistente, progressão radiológica rápida ou falência orgânica), a eritrocitaférese (troca parcial) é preferível para reduzir a HbS para < 30% sem aumentar excessivamente a viscosidade sanguínea.
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