USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2023
Paciente de 9 anos, sexo masculino, asmático e portador de anemia falciforme, está internado na enfermaria da pediatria devido ao quadro de exacerbação asmática, associada à infecção das vias aéreas superiores. Na admissão, apresentava sibilos difusos, saturação 92% em ar ambiente, desconforto respiratório leve/moderado, com exame de imagem normal. No segundo dia de internação hospitalar, o paciente começou a se queixar de piora da falta de ar, dor em membros inferiores e na região torácica, de forte intensidade (nota 9/10 na escala numérica de dor). Sem febre ou outros sintomas associados. Ao exame clínico, encontra-se hidratado, descorado 2+, com saturação de 92% em Venturi 50%, FC: 90 bpm, FR: 32 irpm, PA: 96x50 mmHg; apresenta desconforto moderado com ausculta mantida em relação ao último exame. Sem febre associada.Frente aos novos sintomas apresentados, qual a conduta indicada para o paciente acima?
Anemia falciforme + dor intensa + piora respiratória = suspeitar Síndrome Torácica Aguda → Opioide + Imagem.
Em pacientes com anemia falciforme, a dor intensa e a piora respiratória, mesmo sem alterações significativas na ausculta, devem levantar a suspeita de Síndrome Torácica Aguda (STA), uma complicação grave que exige analgesia potente (opioides) e investigação radiológica pulmonar imediata.
A Síndrome Torácica Aguda (STA) é uma das complicações mais graves e comuns da anemia falciforme, sendo a principal causa de morte em pacientes com esta condição. Caracteriza-se por um novo infiltrado pulmonar na radiografia de tórax, associado a febre, dor torácica, taquipneia, sibilância ou tosse. Sua incidência é maior em crianças pequenas e pode ser precipitada por infecções, embolia gordurosa ou infarto pulmonar. O diagnóstico da STA exige alta suspeição clínica, especialmente em pacientes com anemia falciforme que apresentam dor intensa (frequentemente torácica ou em membros), febre e sintomas respiratórios, mesmo que discretos. A hipoxemia é um achado comum e a radiografia de tórax é fundamental para confirmar o infiltrado. A fisiopatologia envolve vaso-oclusão pulmonar, inflamação e infecção. O tratamento da STA é uma emergência médica e inclui oxigenoterapia, analgesia potente (geralmente opioides), hidratação, antibióticos de amplo espectro (para cobrir patógenos atípicos e típicos) e, em casos moderados a graves, transfusão de troca ou transfusão simples para reduzir a hemoglobina S e melhorar a oxigenação. A monitorização contínua e a reavaliação da imagem pulmonar são essenciais.
Os sinais incluem dor torácica, febre, tosse, dispneia, taquipneia e hipoxemia. A presença de um novo infiltrado pulmonar na radiografia de tórax é diagnóstica.
A conduta inicial envolve analgesia potente com opioides, hidratação, oxigenoterapia e, se houver suspeita de STA, antibióticos e transfusão de troca.
A repetição do exame de imagem é crucial para monitorar a evolução do infiltrado pulmonar, avaliar a resposta ao tratamento e identificar possíveis complicações ou progressão da doença.
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