Síndrome Torácica Aguda em Anemia Falciforme: Manejo

USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2020

Enunciado

Adolescente masculino, 13 anos de idade, portador de anemia falciforme em seguimento regular com hematologista, apresenta queixa de febre e tosse há dois dias e dor em face anterior do tórax a direita. Ao exame clínico encontra-se em regular estado geral, levemente descorado, FC: 84 bpm, FR: 34 ipm, Saturação de Oxigênio: 95% em ar ambiente, Temp: 38°C, PA: 100/60 mmHg. Realizou radiografia de tórax, que mostrou a imagem abaixo: A conduta inicial mais adequada é:

Alternativas

  1. A) Prescrição de amoxacilina, alta hospitalar com reavaliação.
  2. B) Internação com ceftriaxone e claritromicina.
  3. C) Fibrinolítico endovenoso e enoxaparina dose terapêutica.
  4. D) Hiper-hidratação endovenosa e oxigenioterapia.

Pérola Clínica

Anemia falciforme + febre + dor torácica + infiltrado RX → Síndrome Torácica Aguda = ATB amplo espectro.

Resumo-Chave

A Síndrome Torácica Aguda (STA) é uma complicação grave da anemia falciforme, caracterizada por novo infiltrado pulmonar em radiografia de tórax, associado a febre e/ou sintomas respiratórios. A conduta inicial envolve oxigenioterapia, hidratação venosa e antibioticoterapia de amplo espectro, cobrindo germes atípicos e típicos, como com ceftriaxone e claritromicina.

Contexto Educacional

A Síndrome Torácica Aguda (STA) é a segunda causa mais comum de hospitalização em pacientes com anemia falciforme e a principal causa de morte. É uma emergência médica que requer reconhecimento e tratamento rápidos. Sua incidência é maior em crianças e adolescentes, e pode ser desencadeada por infecções, embolia gordurosa ou infarto pulmonar. A fisiopatologia da STA envolve uma combinação de vaso-oclusão pulmonar, infecção e inflamação. O diagnóstico é clínico e radiológico, com a presença de novo infiltrado pulmonar. A suspeita deve ser alta em qualquer paciente com anemia falciforme que apresente febre e sintomas respiratórios ou dor torácica, mesmo que leves. O tratamento é multifacetado e inclui suporte respiratório (oxigenioterapia, ventilação), hidratação venosa, analgesia, transfusão sanguínea (exsanguineotransfusão em casos graves) e antibioticoterapia de amplo espectro. A escolha dos antibióticos deve cobrir patógenos bacterianos típicos e atípicos. O manejo precoce e agressivo é crucial para prevenir a progressão da doença e melhorar o prognóstico.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas da Síndrome Torácica Aguda em pacientes com anemia falciforme?

A Síndrome Torácica Aguda (STA) é definida pela presença de um novo infiltrado pulmonar na radiografia de tórax, associado a febre, tosse, dor torácica, taquipneia ou hipoxemia. É uma complicação grave e comum em pacientes com anemia falciforme.

Qual a conduta inicial mais adequada para um paciente com anemia falciforme e suspeita de Síndrome Torácica Aguda?

A conduta inicial inclui internação hospitalar, oxigenioterapia para manter saturação >92%, hidratação venosa cautelosa e antibioticoterapia de amplo espectro, cobrindo germes típicos e atípicos, como a combinação de ceftriaxone e claritromicina.

Por que a combinação de ceftriaxone e claritromicina é recomendada na Síndrome Torácica Aguda?

Essa combinação é recomendada para garantir cobertura de amplo espectro. O ceftriaxone cobre bactérias típicas como Streptococcus pneumoniae e Haemophilus influenzae, enquanto a claritromicina (ou outro macrolídeo) cobre patógenos atípicos como Mycoplasma pneumoniae e Chlamydophila pneumoniae, que são comuns em pacientes com anemia falciforme.

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