Síndrome Torácica Aguda em Falciformes: Diagnóstico e Manejo

Hospital Unimed-Rio (RJ) — Prova 2021

Enunciado

Escolar, 7 anos de idade, admitido no pronto-socorro com queixa, há 4 horas, de dor torácica e dispneia. A criança é portadora de doença falciforme SS (Hemoglobina basal referida: 9,5 g/dl) e iniciou dor em região lombar, que progrediu para região anterior do tórax, de forte intensidade. Nega febre, mas recebeu dipirona há 2 horas, sem melhora. Há 3 dias com coriza, sem outros sintomas. Ao exame físico: Regular estado geral, com fáceis de dor, hipocorado 3+/4+, dispneico, frequência cardíaca: 150 batimentos/minuto; frequência respiratória: 58 incursões/minuto, saturação periférica de 02 (Sat 02) = 87%, em ar ambiente; temperatura axilar: 37,4 ºC. Murmúrio vesicular presente, com crepitações e sibilos difusos em 113 inferior do HTD, com triagem intercostal. Extremidades frias e pulsos periféricos finos, com tempo de enchimento = 4 segundos. Dor à palpação de região lombar, com calor local. A criança foi levada à sala de emergência para monitorização e acesso venoso. Qual é a hipótese diagnóstica e a conduta, além de antibioticoterapia empírica, exames laboratoriais, prova cruzada, tipagem sanguínea, radiografia de tórax e suplementação para manter SatpO² > 92%?

Alternativas

  1. A) Crise Vaso-Oclusiva. Analgesia com opioide em até 15 minutos de admissão.
  2. B) Síndrome Torácica Aguda. Analgesia com opioide em até 30 minutos da admissão.
  3. C) Síndrome Torácica Aguda. Analgesia com anti-inflamatório não esteroidal em até 30 minutos da admissão.
  4. D) Crise Vaso-Oclusiva. Analgesia com opioide em até 30 minutos da admissão.

Pérola Clínica

Criança falciforme + dor torácica + dispneia + hipoxemia + infiltrado pulmonar = Síndrome Torácica Aguda.

Resumo-Chave

O quadro clínico de dor torácica, dispneia, hipoxemia e achados pulmonares em um paciente com doença falciforme é altamente sugestivo de Síndrome Torácica Aguda (STA), uma emergência médica. A analgesia com opioides deve ser iniciada rapidamente, idealmente em até 30 minutos da admissão, para controle da dor intensa e prevenção de complicações.

Contexto Educacional

A Síndrome Torácica Aguda (STA) é uma das complicações mais graves da doença falciforme, sendo a principal causa de morte em pacientes com esta condição. Caracteriza-se por um novo infiltrado pulmonar na radiografia de tórax, associado a sintomas respiratórios como dor torácica, dispneia, taquipneia e/ou febre. Sua fisiopatologia envolve vaso-oclusão pulmonar, infecção, embolia gordurosa e inflamação. O diagnóstico da STA exige alta suspeição em pacientes falciformes com dor torácica e dispneia, especialmente se acompanhados de hipoxemia. O exame físico pode revelar crepitações ou sibilos. A radiografia de tórax é essencial para identificar o infiltrado. A diferenciação de uma crise vaso-oclusiva simples é vital, pois a STA requer um manejo mais agressivo e multidisciplinar. O tratamento da STA é uma emergência e inclui oxigenoterapia para manter a saturação acima de 92%, analgesia potente com opioides (iniciada em até 30 minutos da admissão), hidratação venosa cautelosa, antibioticoterapia empírica de amplo espectro (cobrir germes atípicos), e em casos de hipoxemia grave ou progressão, transfusão de troca ou simples. A monitorização contínua e o suporte respiratório são fundamentais para prevenir a insuficiência respiratória.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para Síndrome Torácica Aguda em doença falciforme?

A Síndrome Torácica Aguda é definida pela presença de um novo infiltrado pulmonar na radiografia de tórax, associado a pelo menos um sintoma respiratório (dor torácica, taquipneia, dispneia) ou febre, em pacientes com doença falciforme.

Qual a conduta inicial para Síndrome Torácica Aguda em crianças?

A conduta inicial inclui oxigenoterapia para manter SatO2 > 92%, analgesia potente com opioides (em até 30 minutos), hidratação venosa cuidadosa, antibioticoterapia empírica, e em casos graves, transfusão de troca ou simples para aumentar a hemoglobina A e reduzir a hemoglobina S.

Por que a analgesia rápida é crucial na Síndrome Torácica Aguda?

A analgesia rápida e eficaz com opioides é crucial para controlar a dor intensa, que pode levar à hipoventilação e agravar a hipoxemia. Além disso, a dor e o estresse podem perpetuar a vaso-oclusão e o processo inflamatório pulmonar.

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