Síndrome Torácica Aguda na Anemia Falciforme: Conduta

ENARE/ENAMED — Prova 2025

Enunciado

Um pré-escolar masculino com 4 anos, portador de doença falciforme, é levado à emergência com febre, tosse e dor abdominal iniciadas quase 24 horas antes. O exame físico mostra o estado geral regular, hipocorado 3+/4+, ictérico 1+/4+, boa perfusão periférica, taquidispneico, temperatura 38 ºC, sat O2 90% em ar ambiente; ausculta respiratória com sibilos esparsos e cardíaca com ritmo em 2T, bulhas normofonéticas com sopro holossistólico 2+/4+; a palpação do abdômen mostrou o fígado a 1 cm do RCD e o baço a 2 cm do RCE. Radiografia de tórax mostrou infiltrado pulmonar. A conduta é:

Alternativas

  1. A) Analgesia, hidratação e antibiótico via oral.
  2. B) Internação, hidratação rigorosa e analgesia.
  3. C) Hidratação, salbutamol e antibiótico venoso.
  4. D) Internação, analgesia e antibiótico venoso.
  5. E) Internação, corticoide e antibiótico via oral.

Pérola Clínica

Febre + infiltrado pulmonar novo em falciforme = Síndrome Torácica Aguda (Internar + ATB).

Resumo-Chave

A Síndrome Torácica Aguda (STA) é uma emergência médica em pacientes com anemia falciforme, definida por novo infiltrado radiológico associado a sintomas respiratórios ou febre. Exige tratamento intra-hospitalar imediato.

Contexto Educacional

A Síndrome Torácica Aguda (STA) é a segunda causa mais comum de hospitalização e a principal causa de morte em pacientes com Doença Falciforme. Sua etiologia é multifatorial, incluindo infecção, infarto pulmonar por vaso-oclusão e embolia gordurosa (decorrente de infarto de medula óssea). O manejo clínico foca na tríade: oxigenação (manter SatO2 > 92-95%), analgesia rigorosa (para evitar hipoventilação por dor) e antibioticoterapia de amplo espectro. A transfusão de sangue (simples ou exanguíneotransfusão) é indicada em casos de queda rápida da hemoglobina ou piora da função respiratória, visando reduzir a porcentagem de HbS e melhorar a oxigenação tecidual.

Perguntas Frequentes

Quais os critérios diagnósticos para Síndrome Torácica Aguda?

O diagnóstico requer a presença de um novo infiltrado pulmonar na radiografia de tórax (envolvendo pelo menos um lobo pulmonar completo) associado a pelo menos um dos seguintes: febre > 38,5°C, dor torácica, taquipneia, sibilância, tosse ou hipoxemia em relação à linha de base do paciente.

Qual a antibioticoterapia recomendada na STA?

A cobertura deve ser ampla para cobrir patógenos comuns (S. pneumoniae) e atípicos (Mycoplasma e Chlamydia). Geralmente utiliza-se uma cefalosporina de 3ª geração (Ceftriaxona) associada a um macrolídeo (Claritromicina ou Azitromicina). Em casos graves ou suspeita de S. aureus, pode-se considerar Vancomicina.

Por que a hidratação deve ser cautelosa na STA?

Embora a hidratação seja necessária para evitar a falcização, o excesso de fluidos pode levar ao edema pulmonar, piorando a troca gasosa em um pulmão já comprometido pela vaso-oclusão e inflamação. Recomenda-se hidratação venosa com no máximo 1 a 1,5 vezes a necessidade basal.

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