Síndrome Torácica Aguda na Anemia Falciforme: Conduta

PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2022

Enunciado

Qual a conduta ideal para criança com anemia falciforme, 12 anos com quadro de dor torácica início súbito, febre e taquidispneia?

Alternativas

  1. A) Analgesia, antibiótico, oxigênio, concentrado de hemácias se hemoglobina < 7 g/dL.
  2. B) Analgesia, oxigênio, concentrado de hemácias se hemoglobina < 9 g/dL.
  3. C) Analgesia, antibiótico, oxigênio, concentrado de hemácias se hemoglobina < 9 g/dL.
  4. D) Analgesia, oxigênio, concentrado de hemácias se hemoglobina < 7 g/dL.
  5. E) Analgesia e oxigenioterapia independentemente dos valores da hemoglobina.

Pérola Clínica

Síndrome Torácica Aguda (STA) em falciforme: analgesia, O2, ATB e transfusão se Hb < 9 g/dL.

Resumo-Chave

A Síndrome Torácica Aguda (STA) é uma complicação grave da anemia falciforme, caracterizada por dor torácica, febre e infiltrado pulmonar. O manejo inicial inclui analgesia potente, oxigenioterapia para hipoxemia, antibioticoterapia empírica de amplo espectro e transfusão de concentrado de hemácias se a hemoglobina for < 9 g/dL ou houver queda significativa.

Contexto Educacional

A anemia falciforme é uma hemoglobinopatia hereditária caracterizada pela produção de hemoglobina S (HbS), que polimeriza em condições de hipóxia, desidratação ou acidose, levando à falcização dos eritrócitos. Essa falcização causa hemólise crônica, anemia e oclusão microvascular, resultando em crises álgicas, disfunção orgânica e complicações graves. A Síndrome Torácica Aguda (STA) é uma das principais causas de morbimortalidade em pacientes com anemia falciforme, sendo uma emergência médica que requer reconhecimento e tratamento imediatos. A STA é definida pela presença de um novo infiltrado pulmonar no raio-X de tórax, associado a sintomas como febre, dor torácica, tosse, taquipneia ou hipoxemia. Sua fisiopatologia é multifatorial, envolvendo infecção (viral ou bacteriana), embolia gordurosa (liberada da medula óssea infartada), infarto pulmonar e inflamação. O diagnóstico precoce é crucial, pois a STA pode progredir rapidamente para insuficiência respiratória aguda e morte. A criança de 12 anos com dor torácica súbita, febre e taquidispneia apresenta um quadro clássico de STA. O tratamento da STA é de suporte e específico. Inclui analgesia potente para controlar a dor (frequentemente com opioides), oxigenioterapia para manter a saturação > 92-95%, e antibioticoterapia empírica de amplo espectro para cobrir patógenos típicos e atípicos (ex: cefalosporina de terceira geração + macrolídeo). A transfusão de concentrado de hemácias é uma intervenção vital, indicada se a hemoglobina cair abaixo de 9 g/dL ou houver uma queda significativa em relação ao basal, ou em casos de hipoxemia grave e progressiva, visando reduzir a proporção de hemácias falciformes e melhorar a oxigenação tecidual. A transfusão de troca pode ser considerada em casos mais graves.

Perguntas Frequentes

O que é a Síndrome Torácica Aguda (STA) na anemia falciforme?

A STA é uma complicação grave da anemia falciforme, definida por um novo infiltrado pulmonar no raio-X de tórax, associado a febre, dor torácica, taquipneia, tosse ou hipoxemia. Pode ser causada por infecção, embolia gordurosa ou infarto pulmonar.

Por que a transfusão de concentrado de hemácias é importante na STA?

A transfusão de hemácias (simples ou de troca) é crucial para aumentar a oferta de oxigênio, reduzir a proporção de hemácias falciformes e diminuir a viscosidade sanguínea, prevenindo a progressão da doença e a insuficiência respiratória. A indicação é geralmente para Hb < 9 g/dL ou queda de 2 g/dL do basal.

Qual o esquema de antibioticoterapia empírica para STA em anemia falciforme?

A antibioticoterapia empírica deve cobrir patógenos atípicos (como Mycoplasma pneumoniae e Chlamydia pneumoniae) e típicos (como Streptococcus pneumoniae e Haemophilus influenzae). Geralmente, combina-se um macrolídeo (ex: azitromicina) com uma cefalosporina de terceira geração (ex: ceftriaxona).

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