Santa Casa de São José dos Campos (SP) — Prova 2025
Paciente adulto jovem com história de anemia crônica desde pequeno e levado ao PS com quadro agudo de dor torácica, tosse, dispneia. Qual seria sua hipótese diagnostica:
Paciente com anemia falciforme + dor torácica aguda + infiltrado pulmonar novo no RX = Síndrome Torácica Aguda (STA).
A Síndrome Torácica Aguda é uma emergência médica em pacientes com doença falciforme, definida por um novo infiltrado pulmonar associado a sintomas respiratórios (dor torácica, tosse, dispneia) e/ou febre. Sua fisiopatologia é multifatorial, envolvendo vaso-oclusão, infecção e embolia gordurosa, exigindo tratamento imediato.
A Síndrome Torácica Aguda (STA) é a segunda causa mais comum de hospitalização e a principal causa de morte em pacientes com doença falciforme. É uma complicação pulmonar aguda caracterizada por um ciclo vicioso de hipoxemia, acidose e desidratação que promove ainda mais a falcização das hemácias e a vaso-oclusão na microcirculação pulmonar, levando à lesão pulmonar aguda. A fisiopatologia da STA é complexa e multifatorial, podendo ser desencadeada por infecção (viral ou bacteriana, incluindo patógenos atípicos), embolia gordurosa (secundária à necrose da medula óssea durante uma crise álgica), hipoventilação (devido à dor torácica de uma crise vaso-oclusiva) ou infarto pulmonar. O diagnóstico é clínico-radiológico, baseado na presença de um novo infiltrado pulmonar em um paciente sintomático. O tratamento deve ser iniciado imediatamente e visa quebrar o ciclo de falcização. Os pilares do manejo são o suporte de oxigênio para corrigir a hipoxemia, analgesia adequada para permitir uma boa expansão torácica, antibioticoterapia empírica de amplo espectro, hidratação cuidadosa para evitar sobrecarga hídrica e, crucialmente, a terapia transfusional. A transfusão de concentrado de hemácias (simples ou de troca) dilui a porcentagem de hemoglobina S (HbS), melhora a capacidade de transporte de oxigênio e reduz a vaso-oclusão, sendo fundamental para reverter o quadro.
O diagnóstico de STA requer a presença de um novo infiltrado pulmonar na radiografia de tórax associado a pelo menos um dos seguintes achados: febre (temperatura ≥ 38.5°C), dor torácica, tosse, expectoração, taquipneia, dispneia ou hipoxemia.
O manejo é multifacetado e inclui: 1) Suporte respiratório com oxigenoterapia para manter SatO2 > 95%; 2) Analgesia vigorosa (opioides); 3) Hidratação venosa cautelosa; 4) Antibioticoterapia de amplo espectro (cefalosporina de 3ª geração + macrolídeo); e 5) Transfusão sanguínea (simples ou de troca) em casos moderados a graves.
É um grande desafio, pois a infecção pode ser um gatilho para a STA e a embolia pode coexistir. Na prática, todo paciente falciforme com infiltrado pulmonar e sintomas respiratórios é tratado como STA. A angio-TC de tórax pode ser usada para investigar TEP se a suspeita for alta e o paciente não responder ao tratamento inicial.
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