UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2026
Adolescente de 13 anos, com anemia falciforme (HbSS), foi levado ao atendimento na emergência, apresentando febre de 38,5°C, dor torácica à direita, dispneia progressiva e tosse seca há dois dias. A saturação de oxigênio estava em 88% em ar ambiente. Ao exame físico, notava-se taquipneia, estertores crepitantes na base pulmonar direita e dor torácica. Não havia sinais de congestão jugular ou edema periférico. Os exames laboratoriais revelaram hemoglobina de 7,8 g/dL, leucocitose com predomínio de neutrófilos e gasometria arterial com PaO₂ reduzida e acidose respiratória leve. A radiografia de tórax mostrava infiltrado alveolar na base direita. As hemoculturas estavam em andamento. Com base na descrição do caso, o tratamento a ser instituído é:
Infiltrado novo + Dor/Febre na Falciforme = Síndrome Torácica Aguda → ATB + O2 + Transfusão.
A Síndrome Torácica Aguda (STA) é uma emergência médica na anemia falciforme que exige tratamento agressivo com suporte respiratório, cobertura antibiótica ampla e transfusão precoce.
A Síndrome Torácica Aguda (STA) representa uma das complicações mais graves e letais da anemia falciforme (HbSS). Sua fisiopatologia envolve um ciclo vicioso de hipóxia, polimerização da HbS e vaso-oclusão na microvasculatura pulmonar, frequentemente desencadeado por infecções, embolia gordurosa da medula óssea ou hipoventilação secundária a crises álgicas torácicas. O manejo clínico deve ser multidisciplinar e imediato. A oxigenioterapia é crucial para manter a saturação acima de 92-95%, prevenindo novas foicizações. A analgesia, preferencialmente com opioides, deve ser titulada para permitir uma ventilação adequada sem causar depressão respiratória. A hidratação deve ser cautelosa (euvolemia) para evitar o edema pulmonar, que é uma complicação frequente do tratamento agressivo de fluidos nesses pacientes. O uso de incentivo respiratório (espirometria de incentivo) também é recomendado para prevenir atelectasias.
A STA é definida pela presença de um novo infiltrado radiológico na radiografia de tórax (envolvendo pelo menos um segmento pulmonar completo) associado a sintomas respiratórios como tosse, dispneia, dor torácica ou febre. É a principal causa de morte em adultos com anemia falciforme e a segunda causa mais comum de hospitalização, exigindo reconhecimento imediato e manejo intensivo na emergência.
A etiologia da STA é multifatorial, envolvendo infecção, infarto pulmonar e embolia gordurosa. Como é difícil distinguir entre pneumonia e infarto pulmonar agudo, recomenda-se cobertura para patógenos típicos (como S. pneumoniae) e atípicos (como Mycoplasma e Chlamydia), geralmente com a associação de uma cefalosporina de 3ª geração e um macrolídeo para cobrir todas as possibilidades infecciosas.
A transfusão de hemácias (simples ou exsangueotransfusão) visa aumentar a capacidade de transporte de oxigênio e reduzir a porcentagem de hemoglobina S (HbS), diminuindo a polimerização e a vaso-oclusão nos capilares pulmonares. É indicada em casos de hipoxemia progressiva (SatO2 < 92%), queda acentuada da hemoglobina basal ou instabilidade clínica significativa.
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