CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2019
Qual estrutura está primariamente envolvida na Síndrome de Tolosa-Hunt e qual o tratamento ideal para estes casos?
Tolosa-Hunt = Oftalmoplegia dolorosa + Inflamação do seio cavernoso + Resposta dramática a corticoides.
A Síndrome de Tolosa-Hunt é uma inflamação granulomatosa idiopática do seio cavernoso, caracterizada por dor retro-orbitária intensa e paralisia de nervos oculomotores.
A Síndrome de Tolosa-Hunt faz parte do diagnóstico diferencial das 'oftalmoplegias dolorosas'. Fisiopatologicamente, trata-se de uma inflamação não específica que promove um efeito de massa e compressão nervosa dentro do seio cavernoso. É fundamental que o médico residente realize uma RM de crânio e órbitas com contraste para visualizar o espessamento do seio cavernoso e excluir diagnósticos diferenciais graves, como linfomas, metástases, aneurismas da carótida interna ou fístulas. A resposta ao corticoide é um marco da doença, mas não substitui a necessidade de investigação por imagem.
A síndrome afeta as estruturas que passam pelo seio cavernoso ou pela fissura orbitária superior. Os nervos mais comumente envolvidos são o III (oculomotor), IV (troclear) e VI (abducente), causando oftalmoplegia. Além disso, o ramo oftálmico (V1) e ocasionalmente o maxilar (V2) do nervo trigêmeo podem ser afetados, contribuindo para a dor e alterações sensitivas na região periorbitária.
O diagnóstico é clínico e de exclusão, baseado nos critérios da ICHD (International Classification of Headache Disorders). Inclui dor unilateral orbitária, evidência de paralisia de um ou mais nervos oculomotores, demonstração de inflamação granulomatosa por RM ou biópsia (raramente feita) e, crucialmente, a resolução da dor em até 72 horas após início de corticoterapia sistêmica adequada.
O tratamento de escolha é a corticoterapia sistêmica em doses elevadas (ex: Prednisona 60-100mg/dia). A resposta da dor costuma ser rápida e dramática, servindo inclusive como teste diagnóstico. A recuperação da motilidade ocular pode levar semanas. O prognóstico geral é bom, mas recorrências podem ocorrer em até 30-40% dos casos, exigindo por vezes o uso de imunossupressores poupadores de corticoide.
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