Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2025
Adolescente, sexo feminino, 16 anos de idade, procura o pediatra com queixas inespecíficas de tonturas, palpitações e fadiga há 3 meses. Ela relata que os sintomas pioram quando ela fica em pé por períodos prolongados. A paciente também menciona episódios raros de visão turva e dor de cabeça. Nunca perdeu a consciência. Nega dor torácica ou histórico familiar de doenças cardíacas. O exame físico em repouso é normal, com pressão arterial de 110/70 mmHg e frequência cardíaca de 72 bpm (medida com a adolescente deitada). Trouxe para a consulta um eletrocardiograma feito recentemente que não mostra anormalidades significativas. Sobre a hipótese diagnóstica mais provável, assinale a afirmativa correta:
POTS → ↑ FC > 40 bpm (adolescentes) em 10 min de ortostatismo sem queda de PA.
A POTS é diagnosticada pelo aumento excessivo da frequência cardíaca ao ficar em pé, na ausência de hipotensão ortostática, sendo o manejo inicial não farmacológico.
A Síndrome de Taquicardia Ortostática Postural (POTS) é uma forma de disautonomia comum em adolescentes e adultos jovens, predominantemente do sexo feminino. A fisiopatologia é multifatorial, envolvendo denervação simpática periférica, hipovolemia relativa e hiperatividade simpática compensatória. Diferencia-se da síncope vasovagal pela cronicidade dos sintomas e pela taquicardia persistente ao ortostatismo. O diagnóstico clínico é frequentemente negligenciado, sendo confundido com ansiedade ou fadiga crônica. O teste de ortostatismo ativo é uma ferramenta simples e eficaz para o diagnóstico. O tratamento farmacológico (como fludrocortisona, betabloqueadores ou midodrina) é reservado para casos refratários às medidas de estilo de vida, que são a base da terapia.
Em adolescentes (12-19 anos), o diagnóstico de POTS requer um aumento da frequência cardíaca ≥ 40 bpm (ou FC absoluta ≥ 120 bpm) nos primeiros 10 minutos de ortostatismo (ou durante o tilt test), na ausência de hipotensão ortostática (queda de PAS > 20 mmHg). Os sintomas de intolerância ortostática devem estar presentes por pelo menos 3 a 6 meses.
O tratamento inicial foca na expansão de volume e medidas comportamentais: aumento da ingestão de água (2-3L/dia) e sal, uso de meias de compressão elástica, evitar gatilhos (calor, refeições pesadas) e implementar um programa de exercícios físicos aeróbicos e de resistência, preferencialmente em posição não ereta inicialmente (como natação ou remo).
O teste de inclinação (tilt test) é indicado quando a história clínica e os exames iniciais (ECG, exame físico) são inconclusivos em pacientes com síncopes recorrentes ou quando se deseja diferenciar síncope vasovagal de POTS ou hipotensão ortostática em casos complexos. Não é necessário se o diagnóstico clínico for claro pelo teste de ortostatismo ativo à beira do leito.
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