UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2025
Mulher, 46 anos, sem comorbidades, é admitida na Unidade de Tratamento Intensivo por sepse urinária obstrutiva, decorrente de litíase ureteral, com insuficiência respiratória e choque séptico. Implantado cateter duplo J de urgência. Iniciado antibioticoterapia, ventilação mecânica e terapia com fármacos vasoativos em doses elevadas. ECG: supra desnível do segmento ST em derivações não-contiguas. Coronariografia e ventriculografia: ausência de lesões obstrutivas significativa; disfunção sistólica moderada, dilatação e disfunção apical, contratilidade preservada nas bases à ventriculografia. Níveis de troponina sérica elevados. A principal hipótese diagnóstica é:
Estresse agudo + supra ST + coronárias limpas + balonamento apical = Takotsubo.
A Síndrome de Takotsubo mimetiza um infarto agudo, mas apresenta coronárias normais e uma discinesia apical característica, frequentemente desencadeada por estresse físico ou emocional severo.
A Síndrome de Takotsubo, ou cardiomiopatia por estresse, é uma condição que simula a síndrome coronariana aguda. No contexto de sepse e choque séptico, o estresse fisiológico extremo e o uso de aminas vasoativas podem desencadear o quadro. O diagnóstico baseia-se nos critérios da Mayo Clinic, que incluem a disfunção ventricular regional que se estende além de um território vascular coronariano e a exclusão de doença obstrutiva ou ruptura de placa.
É a acinesia ou discinesia dos segmentos apicais e médios do ventrículo esquerdo com hipercinesia compensatória da base, conferindo ao coração um formato de armadilha de polvo (Takotsubo em japonês) durante a sístole.
A principal diferença é a ausência de obstrução coronariana significativa na angiografia no Takotsubo, apesar das alterações de ECG e biomarcadores sugerirem isquemia, além do padrão típico de contratilidade na ventriculografia.
O estresse (físico como sepse ou emocional) causa uma descarga maciça de catecolaminas que leva à toxicidade direta dos miócitos e espasmo microvascular, resultando na disfunção ventricular transitória característica.
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