Síndrome de Swyer: Fisiopatologia e Diferenciação Sexual

UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2026

Enunciado

Um indivíduo XY apresenta mutação causando inativação do gene SRY (Síndrome de Swyer). Assim, durante o desenvolvimento do sistema reprodutivo, este indivíduo apresentará:

Alternativas

  1. A) Gônada masculina, genitália interna masculina e genitália externa feminina.
  2. B) Gônada feminina, genitália interna masculina e genitália externa masculina.
  3. C) Gônada masculina, genitália interna feminina e genitália externa masculina.
  4. D) Gônada feminina, genitália interna feminina e genitália externa feminina.

Pérola Clínica

Sem gene SRY → Sem testículos → Sem AMH/Testo → Fenótipo feminino completo (XY).

Resumo-Chave

A ausência do gene SRY impede a diferenciação das gônadas em testículos. Sem testosterona e hormônio anti-mülleriano (AMH), os ductos de Müller persistem e a genitália externa não se viriliza, resultando em fenótipo feminino.

Contexto Educacional

A diferenciação sexual humana é um processo complexo onde o sexo genético (cromossomos) direciona o sexo gonadal, que por sua vez determina o sexo fenotípico através de hormônios. A Síndrome de Swyer exemplifica a 'via padrão' feminina do desenvolvimento: na ausência de sinais masculinizantes ativos (SRY, Testosterona, AMH), o embrião desenvolve estruturas femininas, independentemente do cariótipo XY. O manejo dessas pacientes envolve a reposição hormonal para indução da puberdade e manutenção da saúde óssea, além do suporte psicológico. A vigilância oncológica é fundamental devido à instabilidade genética das gônadas disgenéticas em presença de material do cromossomo Y. O diagnóstico precoce é essencial para a prevenção de neoplasias malignas e para o planejamento reprodutivo, já que essas mulheres podem gestar através de ovodoação, visto que possuem útero funcional.

Perguntas Frequentes

O que acontece na ausência do gene SRY em um indivíduo XY?

O gene SRY, localizado no braço curto do cromossomo Y, é o fator determinante testicular. Sua expressão inicia a cascata de diferenciação da gônada bipotencial em testículo. Na Síndrome de Swyer (disgenesia gonadal completa 46,XY), a mutação ou ausência do SRY impede essa transformação. Como resultado, as gônadas permanecem como estruturas fibrosas não funcionais (gônadas em fita ou 'streak gonads'). Sem testículos, não há produção de testosterona nem de Hormônio Anti-Mülleriano (AMH). A falta de AMH permite que os ductos de Müller se desenvolvam em útero, tubas uterinas e terço superior da vagina, enquanto a falta de testosterona resulta em genitália externa feminina.

Como é o quadro clínico típico da Síndrome de Swyer?

Pacientes com Síndrome de Swyer geralmente nascem com fenótipo feminino normal e são criadas como meninas. A condição costuma ser diagnosticada na adolescência devido à amenorreia primária e ausência de caracteres sexuais secundários (telarca), uma vez que as gônadas em fita não produzem estrogênio. Ao exame, apresentam genitália externa feminina normal e útero presente (confirmado por imagem). Laboratorialmente, observa-se hipogonadismo hipergonadotrófico (FSH e LH elevados com estradiol baixo). Um ponto crítico é o alto risco de desenvolvimento de tumores germinativos (como gonadoblastoma e disgerminoma) nas gônadas disgenéticas, exigindo gonadectomia profilática.

Qual a diferença entre Síndrome de Swyer e Síndrome de Morris?

Ambas apresentam cariótipo 46,XY e fenótipo feminino, mas a fisiopatologia é oposta. Na Síndrome de Morris (Insensibilidade Completa aos Andrógenos), o gene SRY funciona e existem testículos (geralmente intra-abdominais). Esses testículos produzem AMH, o que causa a regressão dos ductos de Müller, resultando em ausência de útero e tubas. Na Síndrome de Swyer, como não há testículos funcionais, não há produção de AMH, e o útero está presente. Portanto, a presença ou ausência de útero na ultrassonografia é o principal divisor de águas clínico entre essas duas condições de diferenciação sexual.

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