CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2014
Assinale a alternativa correta sobre a síndrome de Sturge-Weber:
Sturge-Weber → Mancha vinho do porto + Glaucoma ipsilateral + Angioma leptomeníngeo.
A Síndrome de Sturge-Weber é uma facomatose não hereditária caracterizada por malformações vasculares capilares. O glaucoma ocorre em até 50% dos casos, sendo quase sempre ipsilateral à mancha cutânea.
A Síndrome de Sturge-Weber, ou angiomatose encefalotrigeminal, é uma facomatose esporádica causada por uma mutação somática no gene GNAQ. Clinicamente, define-se pela tríade de mancha vinho do porto facial, angioma leptomeníngeo e malformações vasculares oculares. A relevância clínica reside no risco elevado de glaucoma e cegueira, além de morbidade neurológica significativa. O manejo exige equipe multidisciplinar composta por dermatologistas, neurologistas e oftalmologistas para controle de pressão intraocular e crises convulsivas.
O glaucoma na Síndrome de Sturge-Weber (SSW) possui fisiopatologia multifatorial. Em crianças pequenas, pode estar relacionado a anomalias no desenvolvimento do ângulo da câmara anterior (semelhante ao glaucoma congênito primário). Em pacientes mais velhos, a causa principal é o aumento da pressão venosa episcleral devido a malformações vasculares (shunts arteriovenosos), o que dificulta o escoamento do humor aquático. É fundamental o monitoramento vitalício, pois o glaucoma pode surgir em qualquer idade, embora seja mais comum quando a mancha vinho do porto envolve as pálpebras superior e inferior.
O diagnóstico é clínico, baseado na presença da mancha vinho do porto (nevus flammeus) na distribuição do nervo trigêmeo, associada a achados neurológicos ou oculares. A ressonância magnética de crânio com contraste (gadolínio) é o padrão-ouro para identificar o angioma leptomeníngeo, frequentemente demonstrando realce pial e calcificações corticais em 'trilho de trem' em fases mais tardias. O exame oftalmológico completo é obrigatório para rastrear glaucoma e hemangiomas de coroide.
As complicações neurológicas mais frequentes incluem crises epilépticas (frequentemente refratárias e de início precoce), hemiparesia contralateral à lesão cerebral, atraso no desenvolvimento neuropsicomotor e déficits cognitivos. As crises resultam da hipóxia cortical crônica causada pela estase vascular no angioma leptomeníngeo. O tratamento foca no controle das convulsões com fármacos antiepilépticos e, em casos selecionados e graves, hemisferectomia.
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