SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2020
Mulher de 32 anos procurou assistência médica, há 10 dias, por quadro de disúria e polaciúria, sendo tratada com sulfametoxazol e trimetoprim. Há 5 dias, passou a apresentar febre alta, dor em orofaringe e eritema em conjuntivas bilateralmente. Após um dia do início do quadro, percebeu manchas eritematosas inicialmente em tronco que, em menos de 24 horas, acometeram também extremidades. Em áreas de atrito, as lesões evoluíram com escurecimento central e bolhas. Procurou novamente atendimento, apresentando lesões visualizadas na figura A. Diante do provável diagnóstico, qual o cenário adequado e quais as medidas de tratamento, respectivamente?
SSJ/NET = Reação cutânea grave a fármacos (ex: sulfa), com lesões bolhosas e descolamento epidérmico → Manejo em unidade de queimados.
A Síndrome de Stevens-Johnson (SSJ) e a Necrólise Epidérmica Tóxica (NET) são emergências dermatológicas graves, frequentemente induzidas por medicamentos como sulfametoxazol-trimetoprim. Caracterizam-se por lesões bolhosas, descolamento epidérmico e acometimento mucoso, exigindo internação em unidade de queimados ou UTI para cuidados de suporte intensivos e prevenção de infecções secundárias.
A Síndrome de Stevens-Johnson (SSJ) e a Necrólise Epidérmica Tóxica (NET) são reações cutâneas adversas graves a medicamentos, representando um espectro de gravidade. A SSJ acomete menos de 10% da superfície corporal, enquanto a NET envolve mais de 30%, com a sobreposição SSJ/NET entre 10-30%. A incidência é baixa, mas a mortalidade é significativa, especialmente na NET, variando de 25% a 40%. A identificação precoce e a retirada do agente causal são cruciais. Fisiopatologicamente, são reações de hipersensibilidade tardia mediadas por células T, resultando em apoptose maciça de queratinócitos. Os medicamentos mais frequentemente associados incluem sulfonamidas, anticonvulsivantes (carbamazepina, fenitoína, lamotrigina), alopurinol e AINEs. O quadro clínico inicia-se com sintomas prodrômicos inespecíficos, seguidos por lesões maculopapulares eritematosas que evoluem para bolhas e descolamento epidérmico, com acometimento mucoso (oral, ocular, genital) em quase todos os casos. O tratamento é primariamente de suporte, semelhante ao manejo de pacientes com grandes queimaduras, e deve ser realizado em unidades de terapia intensiva ou unidades de queimados. Inclui hidratação venosa, nutrição, analgesia, cuidados com a pele e mucosas, e vigilância rigorosa para infecções secundárias, que são a principal causa de óbito. O uso de imunoglobulina intravenosa (IVIG) e corticosteroides sistêmicos é controverso e não é recomendado como tratamento de rotina.
O diagnóstico é clínico, baseado na presença de lesões cutâneas eritematosas, maculopapulares, com bolhas e descolamento epidérmico, além de acometimento mucoso. A distinção entre SSJ e NET é feita pela porcentagem de superfície corporal descolada: SSJ < 10%, sobreposição SSJ/NET 10-30%, e NET > 30%.
A principal causa são reações adversas a medicamentos, como sulfonamidas, anticonvulsivantes (carbamazepina, fenitoína), alopurinol e AINEs. Manifesta-se com pródromos gripais, febre, dor orofaringe, conjuntivite, seguidos por lesões cutâneas que evoluem para bolhas e descolamento.
O manejo é semelhante ao de um grande queimado devido ao extenso descolamento epidérmico, que leva à perda da barreira cutânea, risco de desidratação, desequilíbrio eletrolítico, hipotermia e infecções secundárias graves, exigindo cuidados intensivos e especializados.
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