Manifestações Oculares na SSJ e NET: Fase Aguda e Manejo

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2024

Enunciado

Com relação à síndrome de Stevens-Johnson (SSJ), à necrólise epidérmica tóxica (NET) e às manifestações oculares de ambas as condições, é correto afirmar:

Alternativas

  1. A) Na NET, aárea de superfície corpórea acometida costuma ser inferior à da SSJ.
  2. B) Na fase aguda tanto da SSj quanto da NET, uma conjuntivite inespecífica costuma acontecer simultaneamente ao acometimento dermatológico e de outras mucosas, enquanto úlceras de córnea são infrequentes.
  3. C) Na NET, geralmente, apenas uma mucosa é acometida (frequentemente a oral), enquanto na SSJ frequentemente as mucosas oral e ocular são acometidas, simultaneamente.
  4. D) Na SSJ e na NET o transplante de membrana amniótica para a superfície ocular, quando realizado tanto na primeira semana do início do quadro clínico quanto na terceira semana, demonstra efetividade similar para a prevenção da formação de simbléfaros e cicatrizes conjuntivais.

Pérola Clínica

SSJ/NET aguda → Conjuntivite inespecífica é a regra; úlceras de córnea são a exceção.

Resumo-Chave

Na fase aguda da SSJ/NET, o envolvimento de mucosas é extenso, mas a gravidade ocular inicial costuma ser uma conjuntivite inflamatória, evoluindo para sequelas cicatriciais se não tratada.

Contexto Educacional

A Síndrome de Stevens-Johnson (SSJ) e a Necrólise Epidérmica Tóxica (NET) são emergências dermatológicas com morbidade ocular devastadora. O manejo oftalmológico deve ser agressivo desde o primeiro dia, com limpeza de debris, uso de corticosteroides tópicos e lubrificantes. A falha no reconhecimento da gravidade ocular inicial leva a sequelas crônicas como olho seco grave, triquíase, simbléfaro e opacificação corneana, que são de difícil tratamento cirúrgico posterior.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença fisiopatológica entre SSJ e NET?

Ambas são variantes de uma mesma reação de hipersensibilidade tardia (tipo IV) mediada por células T contra queratinócitos, geralmente desencadeada por medicamentos. A distinção é baseada na extensão do descolamento epidérmico: a SSJ envolve menos de 10% da superfície corporal, a NET envolve mais de 30%, e a zona de sobreposição situa-se entre 10% e 30%. Apesar da diferença na extensão cutânea, ambas apresentam alto risco de complicações mucosas graves, incluindo as oculares.

Como se manifesta o quadro ocular na fase aguda?

Na fase aguda, cerca de 90% dos pacientes apresentam envolvimento ocular. O quadro mais comum é uma conjuntivite bilateral, que pode variar de uma hiperemia leve a uma inflamação grave com formação de pseudomembranas e membranas verdadeiras. Embora a inflamação conjuntival seja onipresente, as úlceras de córnea e perfurações são menos frequentes no início, surgindo mais comumente como complicações secundárias à exposição ou inflamação persistente.

Qual o papel da membrana amniótica no tratamento?

O transplante de membrana amniótica (TMA) é uma intervenção crucial na fase aguda (idealmente nos primeiros 5 a 10 dias). Ela atua como um curativo biológico, reduzindo a inflamação, promovendo a reepitelização e, principalmente, prevenindo a formação de simbléfaros (adesões entre a conjuntiva palpebral e bulbar) e outras cicatrizes. A eficácia do TMA é significativamente maior quando realizada precocemente; intervenções tardias na terceira semana já encontram tecidos cicatrizados, sendo menos efetivas na prevenção de sequelas.

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