CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2024
Com relação à síndrome de Stevens-Johnson (SSJ), à necrólise epidérmica tóxica (NET) e às manifestações oculares de ambas as condições, é correto afirmar:
SSJ/NET aguda → Conjuntivite inespecífica é a regra; úlceras de córnea são a exceção.
Na fase aguda da SSJ/NET, o envolvimento de mucosas é extenso, mas a gravidade ocular inicial costuma ser uma conjuntivite inflamatória, evoluindo para sequelas cicatriciais se não tratada.
A Síndrome de Stevens-Johnson (SSJ) e a Necrólise Epidérmica Tóxica (NET) são emergências dermatológicas com morbidade ocular devastadora. O manejo oftalmológico deve ser agressivo desde o primeiro dia, com limpeza de debris, uso de corticosteroides tópicos e lubrificantes. A falha no reconhecimento da gravidade ocular inicial leva a sequelas crônicas como olho seco grave, triquíase, simbléfaro e opacificação corneana, que são de difícil tratamento cirúrgico posterior.
Ambas são variantes de uma mesma reação de hipersensibilidade tardia (tipo IV) mediada por células T contra queratinócitos, geralmente desencadeada por medicamentos. A distinção é baseada na extensão do descolamento epidérmico: a SSJ envolve menos de 10% da superfície corporal, a NET envolve mais de 30%, e a zona de sobreposição situa-se entre 10% e 30%. Apesar da diferença na extensão cutânea, ambas apresentam alto risco de complicações mucosas graves, incluindo as oculares.
Na fase aguda, cerca de 90% dos pacientes apresentam envolvimento ocular. O quadro mais comum é uma conjuntivite bilateral, que pode variar de uma hiperemia leve a uma inflamação grave com formação de pseudomembranas e membranas verdadeiras. Embora a inflamação conjuntival seja onipresente, as úlceras de córnea e perfurações são menos frequentes no início, surgindo mais comumente como complicações secundárias à exposição ou inflamação persistente.
O transplante de membrana amniótica (TMA) é uma intervenção crucial na fase aguda (idealmente nos primeiros 5 a 10 dias). Ela atua como um curativo biológico, reduzindo a inflamação, promovendo a reepitelização e, principalmente, prevenindo a formação de simbléfaros (adesões entre a conjuntiva palpebral e bulbar) e outras cicatrizes. A eficácia do TMA é significativamente maior quando realizada precocemente; intervenções tardias na terceira semana já encontram tecidos cicatrizados, sendo menos efetivas na prevenção de sequelas.
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