CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2007
Mulher, 45 anos de idade, com diagnóstico de artrite reumatoide, queixa-se de sensação de corpo estranho, queimação e ardor nos olhos há mais de 1 ano. Apresenta também dor para deglutir alimentos sólidos, necessita acordar durante a noite para tomar água e tem apresentado cáries em vários dentes. Com relação ao caso, é correto afirmar que:
Artrite Reumatoide + Olho Seco + Xerostomia = Síndrome de Sjögren Secundária.
A Síndrome de Sjögren secundária associa ceratoconjuntivite sicca e xerostomia a uma doença autoimune de base, como a Artrite Reumatoide, exigindo manejo multidisciplinar.
A Síndrome de Sjögren é uma exocrinopatia autoimune crônica caracterizada por infiltração linfocitária das glândulas salivares e lacrimais. No contexto da Artrite Reumatoide, a inflamação sistêmica exacerba a disfunção glandular. O diagnóstico clínico baseia-se na tríade de sintomas sicca, testes de produção lacrimal (Schirmer) e, se necessário, biópsia de glândula salivar menor ou sorologias (Anti-Ro/SSA e Anti-La/SSB). A osmolaridade do filme lacrimal nesses pacientes está tipicamente aumentada (hiperosmolaridade), o que contribui para o dano epitelial da superfície ocular. O manejo requer vigilância constante para complicações como úlceras de córnea e infecções oportunistas.
A Síndrome de Sjögren secundária é definida pela presença de ceratoconjuntivite sicca (olho seco) e xerostomia (boca seca) em pacientes que já possuem uma doença autoimune sistêmica diagnosticada, sendo a Artrite Reumatoide a associação mais comum. Diferencia-se da forma primária, que ocorre isoladamente sem outra colagenose associada.
O tratamento inicial é focado no alívio dos sintomas e na proteção das superfícies mucosas. Para o componente ocular, utilizam-se lubrificantes (lágrimas artificiais) sem conservantes. Para a xerostomia, recomenda-se hidratação constante, substitutos salivares e higiene oral rigorosa para prevenir cáries rampantes, comuns devido à redução da saliva protetora.
Agentes parassimpaticomiméticos (agonistas colinérgicos), como a pilocarpina e a cevimelina, podem ser usados por via oral para estimular as glândulas exócrinas remanescentes. Medicamentos anticolinérgicos (parassimpatolíticos) são contraindicados, pois inibem as secreções e pioram o quadro clínico.
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