HSM - Hospital Santa Marta (DF) — Prova 2020
Uma paciente de 55 anos de idade procurou atendimento ambulatorial em razão de artralgias, boca e olhos secos, com evolução há um ano. O exame físico evidenciou aumento bilateral da glândula parótida, presente no lado direito e no lado esquerdo da região parotídea. O hemograma completo era normal, porém VHS = 120 (VR = 10-40). Os testes de Schirmer e Rose Bengal foram positivos. Marcadores imunes: FAN positivo alto título, ANTI-RO e ANTI-LA positivos, anti-DNA negativo, fator reumatoide negativo. A ultrassonografia indica aumento bilateral da glândula submandibular e parótida com múltiplas lesões hipoecoicas, apontando vascularidade muito alta, provavelmente apresentando distúrbio sistêmico como a síndrome de Sjögren (SS). A sialografia revela focos difusos de sialectasias. No que tange a esse caso clínico e aos conhecimentos médicos correlatos, assinale a alternativa correta.
SS primária = destruição autoimune glândulas exócrinas (salivares/lacrimais) → boca/olhos secos, ↑ parótida.
A Síndrome de Sjögren é uma doença autoimune sistêmica caracterizada pela disfunção das glândulas exócrinas, levando a sintomas de secura. O diagnóstico é clínico, laboratorial (autoanticorpos) e por exames complementares como Schirmer, Rose Bengal e biópsia de glândula salivar menor.
A Síndrome de Sjögren (SS) é uma doença autoimune sistêmica crônica caracterizada pela infiltração linfocitária e destruição das glândulas exócrinas, principalmente as salivares e lacrimais. É mais comum em mulheres na faixa dos 50-60 anos, mas pode afetar qualquer idade e sexo. A SS primária ocorre isoladamente, enquanto a secundária está associada a outras doenças autoimunes como artrite reumatoide ou lúpus eritematoso sistêmico. O diagnóstico da SS é baseado em critérios clínicos e laboratoriais. Os sintomas cardinais são xerostomia (boca seca) e xeroftalmia (olhos secos), confirmados por testes como o de Schirmer e Rose Bengal. A presença de autoanticorpos como FAN, anti-Ro/SSA e anti-La/SSB é altamente sugestiva. A biópsia de glândula salivar menor, que revela sialoadenite linfocítica focal, é o padrão-ouro para confirmação histopatológica. O tratamento é principalmente sintomático para aliviar a secura, com lágrimas e saliva artificiais, e estimulantes da secreção como pilocarpina ou cevimelina. Para manifestações sistêmicas ou em casos de maior gravidade, podem ser utilizados imunossupressores. É crucial o acompanhamento regular devido ao risco aumentado de linfoma, que se manifesta por aumento persistente de glândulas, linfadenopatia ou sintomas B.
Os principais sintomas são boca seca (xerostomia) e olhos secos (ceratoconjuntivite sicca), devido à destruição autoimune das glândulas salivares e lacrimais. Pode haver também aumento das glândulas parótidas e manifestações sistêmicas.
Além da avaliação clínica, são importantes os testes de Schirmer e Rose Bengal, a pesquisa de autoanticorpos (FAN, anti-Ro/SSA, anti-La/SSB) e, em alguns casos, a biópsia de glândula salivar menor.
A complicação mais grave é o desenvolvimento de linfoma de células B, que ocorre em uma pequena porcentagem dos pacientes, sendo um risco aumentado em comparação com a população geral.
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