CBO Teórica 1 - Prova de Bases da Oftalmologia — Prova 2022
Paciente com síndrome Sjogren passou a ter melhoras dos seus sintomas orais (aumento da salivação) após os médicos não-oftalmologistas prescrever:
Pilocarpina oral para xerostomia → Risco de espasmo acomodativo e miose.
A pilocarpina sistêmica, usada para tratar a xerostomia na Síndrome de Sjogren, atua em receptores muscarínicos oculares, podendo causar contração indesejada do músculo ciliar e miose.
A Síndrome de Sjogren é uma doença autoimune exócrina que exige manejo multidisciplinar. Enquanto o oftalmologista foca no olho seco, o reumatologista ou estomatologista pode prescrever secretagogos como a pilocarpina ou cevimelina para a xerostomia grave. O espasmo acomodativo induzido pela pilocarpina é particularmente incômodo em pacientes jovens que ainda possuem grande amplitude de acomodação. Em idosos pseudofácicos, esse efeito é menos pronunciado, mas a miose ainda pode impactar a qualidade visual. É crucial orientar o paciente sobre esses possíveis efeitos colaterais ao iniciar a terapia sistêmica.
A pilocarpina é um agonista colinérgico não seletivo que estimula os receptores muscarínicos (principalmente M3) nas glândulas exócrinas, aumentando a produção de saliva (combatendo a xerostomia) e, em menor grau, de lágrimas (xeroftalmia).
Ao atingir os receptores muscarínicos no olho, a pilocarpina causa a contração do músculo ciliar. Isso aumenta a curvatura do cristalino (acomodação), o que pode levar a uma miopia induzida e dificuldade para enxergar de longe, fenômeno conhecido como espasmo acomodativo.
Além do espasmo acomodativo, a estimulação do esfíncter da pupila causa miose (pupila puntiforme), o que pode reduzir a visão noturna e o campo visual periférico. Outros efeitos sistêmicos incluem sudorese, náuseas e aumento da frequência urinária.
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