CEPOA - Centro de Estudos e Pesquisas Oculistas Associados (RJ) — Prova 2020
O exame da córnea e da conjuntiva na lâmpada de fenda, após coloração com rosa bengala, revela ulcerações corneanas puntiformes e filamentos ligados ao epitélio da córnea. Associado a este exame, a mensuração lacrimal pelo teste de Schirmer I, e da composição lacrimal avaliada pelo tempo de quebra da lágrima ou conteúdo de lisozima da lágrima, são fundamentais para o diagnóstico guiado da seguinte enfermidade:
Olho seco grave (rosa bengala + Schirmer I ↓) + boca seca → Síndrome de Sjögren.
A combinação de achados oculares como ulcerações puntiformes e filamentos na córnea (corados por rosa bengala), associados a uma baixa produção lacrimal (Teste de Schirmer I) e alteração na qualidade da lágrima (tempo de quebra, lisozima), é altamente sugestiva de ceratoconjuntivite seca grave, característica da Síndrome de Sjögren.
A Síndrome de Sjögren é uma doença autoimune crônica que afeta principalmente as glândulas exócrinas, levando à secura de mucosas, sendo a ceratoconjuntivite seca (olho seco) e a xerostomia (boca seca) as manifestações mais características. É uma condição que pode ser primária ou secundária a outras doenças autoimunes, como artrite reumatoide ou lúpus eritematoso sistêmico. Sua prevalência é maior em mulheres e o diagnóstico precoce é fundamental para o manejo adequado e prevenção de complicações. A fisiopatologia envolve uma infiltração linfocítica das glândulas exócrinas, resultando em sua disfunção e destruição. O diagnóstico é complexo e baseia-se em uma combinação de sintomas clínicos, testes objetivos de função glandular e exames laboratoriais (autoanticorpos como anti-Ro/SSA e anti-La/SSB). O exame oftalmológico com lâmpada de fenda, utilizando colorações como rosa bengala ou fluoresceína, e o teste de Schirmer são pilares para avaliar a gravidade do olho seco e guiar o diagnóstico. O tratamento da Síndrome de Sjögren é sintomático e visa aliviar a secura ocular e oral, prevenir complicações e controlar manifestações sistêmicas. Para residentes, é essencial integrar os achados oftalmológicos com a clínica geral e exames laboratoriais para um diagnóstico preciso. O manejo multidisciplinar, envolvendo oftalmologistas, reumatologistas e dentistas, é frequentemente necessário para otimizar a qualidade de vida dos pacientes e evitar danos irreversíveis às glândulas e órgãos afetados.
Os critérios diagnósticos para a Síndrome de Sjögren incluem sintomas de olho seco e boca seca, evidência objetiva de disfunção glandular (teste de Schirmer, fluxo salivar), presença de autoanticorpos (anti-Ro/SSA, anti-La/SSB) e, em alguns casos, biópsia de glândula salivar menor mostrando sialoadenite linfocítica focal.
O teste de Schirmer I mede a produção basal de lágrimas, sendo um valor < 5 mm em 5 minutos sugestivo de olho seco. A coloração com rosa bengala evidencia áreas de epitélio corneano e conjuntival danificado ou desvitalizado, que são comuns na ceratoconjuntivite seca grave da Síndrome de Sjögren.
Outras condições que podem causar olho seco e boca seca incluem o uso de certos medicamentos (anti-histamínicos, antidepressivos), outras doenças autoimunes (lúpus, artrite reumatoide), infecções virais (hepatite C, HIV) e radioterapia de cabeça e pescoço. É crucial uma investigação completa para diferenciar.
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