IDOR - Instituto D'Or de Pesquisa e Ensino - Rede D'Or (RJ) — Prova 2025
Menino de 2 anos é trazido a consulta pediátrica pelos seus progenitores, que referem preocupação com o peso e a estatura do filho, já que, durante a gestação, apresentara quadro de crescimento intrauterino restrito (CIUR) e, atualmente, apresenta dificuldade para se alimentar. Ao exame físico, a criança apresenta peso de 7,4 kg e estatura de 70 cm (ganho de 1 kg e 8 cm em 1 ano), face triangular, hemi-hipertrofia corpórea (membros superior e inferior esquerdos hipertrofiados). A principal hipótese diagnóstica para o caso descrito é síndrome de:
CIUR + Baixa estatura pós-natal + Face triangular + Assimetria corporal = Síndrome de Silver-Russell.
A Síndrome de Silver-Russell é um distúrbio do imprinting genético caracterizado por restrição de crescimento pré e pós-natal, com preservação do perímetro cefálico e características faciais típicas.
A Síndrome de Silver-Russell (SSR) é clinicamente heterogênea e representa um dos principais diagnósticos diferenciais em crianças com restrição de crescimento intrauterino (CIUR) que permanecem pequenas após o nascimento. A característica mais marcante é a preservação do crescimento craniano em contraste com o corpo pequeno, conferindo a aparência de macrocefalia relativa. A face triangular, com queixo pequeno e fronte larga, completa o fenótipo clássico. A assimetria de membros (hemi-hipertrofia) é um sinal clínico valioso que ajuda a distinguir a SSR de outras síndromes de baixa estatura. O manejo requer uma abordagem multidisciplinar, incluindo endocrinologistas pediátricos, geneticistas e nutricionistas. Além do déficit estatural, deve-se estar atento a complicações como refluxo gastroesofágico, atraso motor leve e puberdade precoce ou adrenarca prematura, que podem comprometer ainda mais a estatura final se não forem gerenciadas adequadamente.
O diagnóstico clínico da Síndrome de Silver-Russell (SSR) é frequentemente baseado no escore de Netchine-Harbison. Os seis critérios principais são: 1) Pequeno para a idade gestacional (PIG/CIUR); 2) Baixa estatura pós-natal; 3) Macrocefalia relativa ao nascimento (perímetro cefálico preservado apesar do baixo peso/estatura); 4) Fronte proeminente; 5) Assimetria corporal (hemi-hipertrofia ou hemi-hipotrofia); e 6) Dificuldades alimentares ou baixo IMC. A presença de pelo menos 4 desses 6 critérios clínicos torna o diagnóstico altamente provável, sendo a macrocefalia relativa e a fronte proeminente critérios quase universais.
A SSR é um distúrbio de imprinting genético. As duas causas moleculares mais comuns são a perda de metilação do centro de imprinting 1 (H19/IGF2) no cromossomo 11p15 (encontrada em cerca de 35-50% dos casos) e a dissomia uniparental materna do cromossomo 7 (matUPD7, em cerca de 10% dos casos). Essas alterações levam à redução da expressão do fator de crescimento IGF2, explicando a restrição severa de crescimento. Em cerca de 40% dos pacientes com diagnóstico clínico clássico, a causa molecular ainda não pode ser identificada pelos testes atuais.
O manejo da baixa estatura na Síndrome de Silver-Russell envolve o uso de hormônio de crescimento recombinante (rhGH). O tratamento com GH é aprovado para crianças nascidas PIG que não apresentam crescimento de recuperação (catch-up) até os 2-4 anos de idade. Na SSR, o GH ajuda a melhorar a velocidade de crescimento, a composição corporal (aumentando a massa magra) e a prevenir hipoglicemias de jejum, que são comuns nessas crianças devido à baixa reserva de gordura e glicogênio. O acompanhamento nutricional é vital para evitar o ganho excessivo de peso adiposo, que pode levar a riscos metabólicos precoces.
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