SEMUSA (SMS) Macaé — Prova 2025
Paciente, 23 anos, Gesta 3 Para 3 (3 Partos vaginais) apresenta quadro de amenorréia há 10 meses. Refere que no último parto apresentou hemorragia importante com necessidade de hemotransfusão de 4 concentrados de hemácias. Relata que, na ocasião, seu útero foi preservado e que não foram realizados procedimentos cirúrgicos para correção do sangramento. Desde então, uma vez finalizado o sangramento após o parto, não voltou a menstruar. Nega ter amamentado o último filho pois necessitou de internação hospitalar prolongada em unidade intensiva e, quando teve alta, não conseguiu estabelecer aleitamento materno. Foi administrado progestágeno por 10 dias há aproximadamente 1 mês sem ocorrência de sangramento. Trazia beta-hCG negativo colhido há 3 dias. Qual seria a principal hipótese diagnóstica e como você espera encontrar os níveis de gonadotrofinas e estradiol neste caso?
Hemorragia pós-parto grave + amenorreia + agalactia → Síndrome de Sheehan (hipopituitarismo, gonadotrofinas e estradiol baixos).
A Síndrome de Sheehan é uma causa de hipopituitarismo pós-parto, resultante de necrose isquêmica da hipófise devido a hemorragia grave durante o parto. Leva à deficiência de múltiplos hormônios hipofisários, incluindo gonadotrofinas, resultando em amenorreia e baixos níveis de estradiol.
A Síndrome de Sheehan é uma condição rara, mas grave, de hipopituitarismo pós-parto, resultante de necrose isquêmica da glândula hipofisária. Geralmente ocorre após uma hemorragia pós-parto maciça, que causa hipotensão e compromete o suprimento sanguíneo da hipófise, que está hipertrofiada durante a gravidez e, portanto, mais vulnerável. É crucial reconhecer essa condição para evitar complicações a longo prazo, como insuficiência adrenal aguda. Os sintomas podem variar em gravidade e tempo de aparecimento, dependendo da extensão da necrose. A amenorreia pós-parto e a agalactia (incapacidade de produzir leite) são frequentemente os primeiros sinais, devido à deficiência de gonadotrofinas e prolactina, respectivamente. Outras deficiências hormonais podem incluir hipotireoidismo (deficiência de TSH), insuficiência adrenal secundária (deficiência de ACTH) e deficiência de GH. O diagnóstico é confirmado pela história clínica, exames hormonais (gonadotrofinas e estradiol baixos, além de outros hormônios hipofisários) e, por vezes, ressonância magnética da sela túrcica. O tratamento da Síndrome de Sheehan envolve a reposição hormonal das deficiências identificadas, como estrogênio/progesterona, levotiroxina, glicocorticoides e, em alguns casos, hormônio de crescimento. A reposição de glicocorticoides é prioritária em casos de insuficiência adrenal, para prevenir crises. O acompanhamento é vital para ajustar as doses e monitorar a resposta clínica, garantindo a qualidade de vida da paciente e prevenindo complicações.
Os sintomas da Síndrome de Sheehan incluem amenorreia pós-parto, agalactia (incapacidade de amamentar), fadiga, hipotireoidismo e insuficiência adrenal secundária, todos decorrentes da deficiência hormonal hipofisária.
A hemorragia grave causa hipotensão, que leva à isquemia e necrose da hipófise. A hipófise está aumentada fisiologicamente na gravidez e, portanto, mais vulnerável à lesão isquêmica, resultando na destruição das células produtoras de hormônios.
A Síndrome de Sheehan é uma falha hipofisária central com baixos níveis de gonadotrofinas e estradiol. A Síndrome de Asherman é uma falha uterina (sinéquias intrauterinas) com níveis hormonais do eixo hipotálamo-hipófise-gonadal geralmente normais.
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