UNESC - Centro Universitário do Espírito Santo — Prova 2024
Paciente de 27 anos, procura consultório de ginecologia pois está sem menstruar desde o último parto que ocorreu há 18 meses. Relata que teve o parto por cesariana com 33 semanas de gestação, devido descolamento prematuro de placenta, que perdeu muito sangue antes de chegar ao hospital e que durante a internação precisou ficar na UTI, pois os médicos informaram que ela estava com quadro de choque e que recebeu muitas transfusões de sangue. Tentou amamentar, mas não conseguiu, pois o leite não saía. Considerando essas informações, a provável causa da amenorreia desta paciente é:
Hemorragia pós-parto + choque + agalactia + amenorreia = Síndrome de Sheehan (necrose hipofisária).
A Síndrome de Sheehan é uma condição rara de hipopituitarismo causada por necrose isquêmica da hipófise anterior, geralmente após hemorragia pós-parto grave e choque. A falha na lactação (agalactia) e a amenorreia secundária são sintomas precoces e clássicos, indicando deficiência de prolactina e gonadotrofinas, respectivamente.
A Síndrome de Sheehan é uma condição rara, mas grave, de hipopituitarismo pós-parto, crucial para o conhecimento de residentes em Ginecologia e Obstetrícia, Endocrinologia e Clínica Médica. Sua importância reside na necessidade de reconhecimento precoce para evitar complicações graves decorrentes da deficiência hormonal, como crise adrenal. A incidência diminuiu com a melhoria do manejo da hemorragia pós-parto, mas ainda é uma causa importante de amenorreia secundária e falha na lactação em regiões com acesso limitado a cuidados obstétricos. A fisiopatologia central é a necrose isquêmica da hipófise anterior, que se torna hiperplásica durante a gravidez e, portanto, mais suscetível a danos isquêmicos em situações de choque hipovolêmico. O diagnóstico é clínico, baseado na história de hemorragia pós-parto grave seguida de agalactia e amenorreia, e confirmado por testes de função hipofisária (níveis baixos de hormônios tróficos e seus hormônios-alvo) e exames de imagem (RM da sela túrcica). A suspeita deve ser alta em pacientes com histórico compatível e sintomas persistentes. O tratamento consiste na reposição hormonal de forma contínua e individualizada, incluindo glicocorticoides, hormônios tireoidianos, estrogênios/progestagênios e, se necessário, hormônio de crescimento. O prognóstico é bom com o tratamento adequado, mas o atraso no diagnóstico pode levar a complicações sérias, como insuficiência adrenal aguda. A educação sobre a Síndrome de Sheehan é vital para a prática clínica e para a preparação para exames de residência, destacando a importância da anamnese detalhada e da correlação clínico-laboratorial.
Os principais sinais incluem agalactia (incapacidade de amamentar), amenorreia secundária, perda de pelos pubianos e axilares, fadiga, hipotensão e hipoglicemia, resultantes da deficiência de múltiplos hormônios hipofisários.
A fisiopatologia envolve necrose isquêmica da hipófise anterior devido à hipoperfusão grave (choque hipovolêmico) durante ou após o parto, especialmente em casos de hemorragia intensa. A hipófise, que aumenta de tamanho na gravidez, torna-se mais vulnerável à isquemia.
A diferenciação é feita pela história de hemorragia pós-parto grave e choque, associada à agalactia e deficiências hormonais múltiplas (TSH, ACTH, GH, prolactina, gonadotrofinas). Outras causas, como Síndrome de Asherman, não apresentam agalactia ou deficiências hormonais sistêmicas.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo