INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2012
Uma paciente de 27 anos de idade é encaminhada ao Ambulatório de Ginecologia com história de parto vaginal há sete meses, complicado com hemorragia intensa devido a descolamento prematuro de placenta. Após o parto, suspeitou-se de restos placentários e realizou-se curetagem uterina. A paciente recebeu três unidades de concentrado de hemácias devido ao sangramento intenso. A paciente refere que não menstrua desde o parto e que não amamentou seu filho, referindo não ter produzido leite materno. Não refere uso de medicamentos, cefaleia e anormalidades visuais. Traz teste de fração beta do hormônio gonadotrófico coriônico (Beta - HCG) não reagente. Diante desse quadro clínico, qual a melhor hipótese diagnóstica e as complicações prováveis secundárias ao diagnóstico?
Hemorragia pós-parto + Agalactia + Amenorreia = Síndrome de Sheehan (Necrose Hipofisária).
A Síndrome de Sheehan ocorre devido à necrose isquêmica da hipófise após choque hipovolêmico no parto, resultando em deficiências hormonais múltiplas (pan-hipopituitarismo).
A Síndrome de Sheehan é uma causa clássica de hipopituitarismo em países em desenvolvimento, embora sua incidência tenha caído com a melhoria da assistência obstétrica. O quadro clínico pode ser agudo (crise adrenal pós-parto) ou crônico, manifestando-se anos depois. O diagnóstico é sugerido pela história clínica de hemorragia grave e confirmado por testes hormonais basais (cortisol, T4 livre, FSH, LH, Prolactina baixos) e ressonância magnética de sela túrcica, que pode mostrar uma sela vazia em estágios tardios. O tratamento consiste na reposição hormonal vitalícia dos eixos afetados. É crucial iniciar a reposição de glicocorticoides antes da levotiroxina para evitar a precipitação de uma crise adrenal aguda, já que o hormônio tireoidiano aumenta o metabolismo do cortisol residual.
A Síndrome de Sheehan é caracterizada pela necrose isquêmica da glândula hipófise decorrente de uma hemorragia obstétrica grave e hipotensão sistêmica durante ou logo após o parto. Durante a gestação, a hipófise sofre uma hipertrofia fisiológica (principalmente das células lactotróficas), o que a torna mais vulnerável a episódios de hipoperfusão. Os sinais clássicos incluem a falha na lactação (agalactia) e a ausência de retorno dos ciclos menstruais (amenorreia secundária), evoluindo para um quadro de pan-hipopituitarismo.
As complicações derivam da perda de função da hipófise anterior. A deficiência de ACTH leva à insuficiência adrenal secundária (fadiga, hipotensão, hiponatremia); a deficiência de TSH causa hipotireoidismo central (bradicardia, intolerância ao frio); a perda de FSH/LH resulta em hipogonadismo hipogonadotrófico (amenorreia, atrofia vaginal); e a falta de Prolactina impede a amamentação. Em casos graves, pode haver deficiência de GH e, raramente, diabetes insipidus se a hipófise posterior for afetada.
Ambas podem ocorrer após complicações de parto (hemorragia e curetagem). No entanto, na Síndrome de Asherman, a amenorreia é causada por aderências (sinéquias) dentro da cavidade uterina; os eixos hormonais estão preservados, a paciente ovula e consegue amamentar. Na Síndrome de Sheehan, a causa é central (hipofisária), logo, há baixos níveis de gonadotrofinas, TSH e prolactina, impedindo a lactação e a ovulação.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo