Síndrome de Sheehan: Sinais e Consequências Pós-Parto

PSU PRMMT - Processo Seletivo Unificado de Residência Médica do MT — Prova 2024

Enunciado

Gestante de 37 semanas, dá entrada no setor de emergência em ambulância do SAMU, após ter sido espancada pelo marido. Na admissão apresenta sinais de choque hipovolêmico, útero hipertônico e BCF 106 bpm. A paciente é encaminhada para parto cesariano imediatamente, sendo detectado volumoso coágulo retroplacentário. No pósoperatório ela evolui com sinais de coagulação intravascular disseminada, mas com medidas de suporte intensivo, mãe e filho sobrevivem. No 5° dia após o parto, a equipe percebe outra complicação ao observar agalactia materna. Considerando a principal hipótese diagnóstica, que outras manifestações poderão ser encontradas?

Alternativas

  1. A) Insuficiência adrenal, diabetes mellitus e hipertireoidismo.
  2. B) Amenorreia, insuficiência da suprarrenal e hipotireoidismo.
  3. C) Falência ovariana precoce, diabetes mellitus e hipoparatireodismo.
  4. D) Sangramento uterino anormal, insuficiência ovariana e Síndrome de Cushing.

Pérola Clínica

Agalactia pós-parto + choque hipovolêmico prévio → Síndrome de Sheehan = pan-hipopituitarismo (amenorreia, hipotireoidismo, insuficiência adrenal).

Resumo-Chave

A Síndrome de Sheehan é causada por necrose isquêmica da hipófise anterior devido a choque hipovolêmico grave no parto. A agalactia é um dos primeiros sinais, seguida por deficiências hormonais como amenorreia, hipotireoidismo e insuficiência adrenal secundária.

Contexto Educacional

A Síndrome de Sheehan é uma condição rara, mas grave, de hipopituitarismo causada por necrose isquêmica da hipófise anterior, geralmente após hemorragia pós-parto grave e choque hipovolêmico. Durante a gravidez, a hipófise aumenta de tamanho e vascularização, tornando-a mais suscetível a danos isquêmicos. O caso descreve uma gestante com choque hipovolêmico após espancamento, culminando em parto cesariano e volumoso coágulo retroplacentário, seguido por agalactia. A agalactia (incapacidade de produzir leite) é um dos primeiros e mais característicos sinais da deficiência de prolactina, indicando dano hipofisário. Com o tempo, outras deficiências hormonais se manifestam, levando a um quadro de pan-hipopituitarismo. As manifestações incluem amenorreia (deficiência de gonadotrofinas), insuficiência adrenal secundária (deficiência de ACTH, levando à fadiga, fraqueza, hipotensão) e hipotireoidismo secundário (deficiência de TSH, causando bradicardia, intolerância ao frio, ganho de peso). O diabetes mellitus e o hipertireoidismo não são manifestações diretas da Síndrome de Sheehan, que é uma condição de hipofunção glandular.

Perguntas Frequentes

Qual a fisiopatologia da Síndrome de Sheehan?

Durante a gravidez, a hipófise aumenta de tamanho, tornando-a mais vulnerável à isquemia. Um choque hipovolêmico grave no parto pode causar necrose isquêmica da hipófise anterior, levando à deficiência de múltiplos hormônios.

Quais são as manifestações clínicas mais comuns da Síndrome de Sheehan?

As manifestações incluem agalactia (incapacidade de produzir leite), amenorreia pós-parto, fadiga, perda de pelos pubianos e axilares, hipotireoidismo (secundário) e insuficiência adrenal (secundária).

Como é feito o diagnóstico e tratamento da Síndrome de Sheehan?

O diagnóstico é clínico e laboratorial (avaliação dos níveis hormonais hipofisários e dos órgãos-alvo), complementado por imagem da hipófise. O tratamento consiste na reposição hormonal das deficiências identificadas.

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