Síndrome Serotoninérgica: Diagnóstico e Interações Medicamentosas

HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2023

Enunciado

Mulher, 54 anos, tem diagnóstico de depressão e faz uso de fluoxetina 60 mg/dia há 15 anos. Após consulta com endocrinologista, é associada sibutramina. Uma semana após início do tratamento medicamentoso, cursa com quadro de dor abdominal difusa, inquietação, febre e hipertensão arterial.Considerando a associação medicamentosa, o diagnóstico mais provável é de

Alternativas

  1. A) pseudocrise hipertensiva.
  2. B) síndrome serotoninérgica.
  3. C) colecistite aguda.
  4. D) úlcera péptica.
  5. E) nefrolitíase obstrutiva.

Pérola Clínica

Fluoxetina + Sibutramina → ↑ Serotonina → Síndrome Serotoninérgica (febre, agitação, hipertensão, dor abdominal).

Resumo-Chave

A associação de fluoxetina (um ISRS) com sibutramina (um inibidor da recaptação de serotonina e noradrenalina) aumenta significativamente os níveis de serotonina no sistema nervoso central, podendo precipitar a síndrome serotoninérgica, caracterizada por alterações do estado mental, disautonomia e anormalidades neuromusculares.

Contexto Educacional

A síndrome serotoninérgica é uma condição potencialmente fatal causada pelo excesso de atividade serotoninérgica no sistema nervoso central. É frequentemente resultado de interações medicamentosas, especialmente quando dois ou mais agentes que aumentam a serotonina são combinados. A fluoxetina é um inibidor seletivo da recaptação de serotonina (ISRS), e a sibutramina é um inibidor da recaptação de serotonina e noradrenalina. A fisiopatologia envolve a estimulação excessiva dos receptores serotoninérgicos, principalmente 5-HT1A e 5-HT2A. O quadro clínico é uma tríade de alterações do estado mental (agitação, confusão), disautonomia (hipertermia, taquicardia, hipertensão, sudorese) e anormalidades neuromusculares (hiperreflexia, mioclonias, rigidez, tremor). A dor abdominal difusa e a inquietação, febre e hipertensão arterial no caso são consistentes com essa síndrome. O diagnóstico é clínico, baseado na história de uso de agentes serotoninérgicos e na presença dos sintomas característicos. O tratamento consiste na suspensão imediata dos medicamentos causadores e medidas de suporte. Em casos graves, pode ser necessário o uso de antagonistas da serotonina, como a ciproheptadina. A prevenção é fundamental, evitando associações medicamentosas de risco.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da síndrome serotoninérgica?

Os principais sintomas incluem alterações do estado mental (agitação, confusão), disautonomia (febre, taquicardia, hipertensão, sudorese) e anormalidades neuromusculares (hiperreflexia, mioclonias, rigidez, tremor).

Quais medicamentos podem causar a síndrome serotoninérgica?

A síndrome serotoninérgica pode ser causada por ISRS, IRSN, IMAO, triptanos, tramadol, meperidina, dextrometorfano, sibutramina, MDMA e outros fármacos que aumentam a atividade serotoninérgica.

Qual a conduta inicial para a síndrome serotoninérgica?

A conduta inicial envolve a suspensão imediata dos agentes serotoninérgicos, cuidados de suporte (hidratação, controle da temperatura e pressão arterial) e, em casos graves, o uso de ciproheptadina.

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