CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2013
A síndrome do seio silente é caracterizada por:
Seio silente = Enoftalmia progressiva unilateral + Hipoplasia do seio maxilar (sem inflamação).
A síndrome decorre de uma pressão negativa crônica no seio maxilar que causa o colapso do assoalho orbitário, levando à enoftalmia e hipoglobo.
A Síndrome do Seio Silente é uma entidade rara, mas importante no diagnóstico diferencial das assimetrias faciais e orbitárias. Ela afeta tipicamente adultos na terceira ou quarta década de vida. A ausência de história de trauma ou sintomas inflamatórios agudos direciona o diagnóstico para esta condição. O tratamento é cirúrgico e visa interromper o processo de pressão negativa. Geralmente realiza-se uma antrostomia maxilar meatal média por via endoscópica para restaurar a ventilação do seio. Em casos de enoftalmia esteticamente importante ou diplopia persistente, pode ser necessária a reconstrução do assoalho orbitário com implantes para reposicionar o globo ocular.
A fisiopatologia baseia-se na obstrução crônica do óstio de drenagem do seio maxilar, geralmente no infundíbulo etmoidal. Essa obstrução impede a ventilação do seio, levando à reabsorção do ar e criação de uma pressão negativa (vácuo) persistente. Com o tempo, essa pressão negativa causa a retração das paredes sinusais, especialmente o assoalho da órbita (que é o teto do seio maxilar), resultando em atelectasia do seio e deslocamento do conteúdo orbitário para baixo.
O sinal cardeal é a enoftalmia progressiva (olho 'fundo') e unilateral, muitas vezes acompanhada de hipoglobo (deslocamento inferior do globo ocular). O paciente geralmente é assintomático do ponto de vista sinusal (daí o nome 'silente'), não apresentando dor, secreção ou pressão facial. Pode haver diplopia vertical devido ao desalinhamento ocular e um sulco palpebral superior profundo.
O diagnóstico é confirmado por Tomografia Computadorizada (TC) de seios da face. Os achados típicos incluem: redução do volume do seio maxilar (hipoplasia/atelectasia), opacificação total ou parcial do seio, retração das paredes sinusais e, crucialmente, a depressão ou arqueamento inferior do assoalho orbitário. O infundíbulo maxilar encontra-se obstruído e o processo uncinado costuma estar lateralizado e aderido à parede orbital medial.
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